Marcelo D2: “Quem não mudar a atitude depois dessa pandemia vai perder uma grande oportunidade de melhorar” – leia a entrevista

Amanda Sousa
Por Amanda Sousa

Conversamos com Marcelo D2 para saber um pouco mais sobre esse processo novo, que nasceu a partir de uma série de lives e produção com o envolvimento de toda a família durante a pandemia

Após série de lives mostrando processo criativo e produção, Marcelo D2 lança álbum visual

Marcelo D2 estava trabalhando no novo disco do Planet Hemp quando começou a pandemia. Pensou, se reinventou e canalizou toda sua energia criativa na concepção de sua mais nova obra, lançada no último dia 26 de setembro, intitulada Assim Tocam os MEUS TAMBORES. O álbum foi produzido totalmente durante transmissões ao vivo pela plataforma Twitch – foram mais de 150 horas de lives com interações de fãs.

Desde o mês de julho, Marcelo D2 compartilhou com o público esse processo de criação em tempo real e o álbum foi gravado em apenas 1 mês e conta com a participação de Liniker, Juçara Marçal, Kiko Dinuccio, Don L., Djonga, Baco Exú do Blues e mais. O projeto foi dirigido por Luiza Machado, que, além de produtora, é esposa do D2.

Nave, DJ Nuts, Kamau, Dr. Drumah, Barba Negra e Tropkillaz assinam a produção dos beats, enquanto quem assina a masterização é Jonathan Maia. Já a mixagem do disco fica por conta do amigo de longa data – e ganhador do Grammy Latino por duas vezes – Mario Caldato Jr. Como fio condutor dessa enorme energia, Marcelo envolveu sua família, seus amigos e sua equipe em uma só vibração. Os tambores de Marcelo D2 ressoam amor, cumplicidade, unicidade e dedicação. Seu filho mais velho, o rapper Sain, está na faixa Pelo que eu acredito, ao lado de Djonga. Luca ajudou o pai com a parte tecnológica durante as transmissões e Maria Joana registrou os bastidores do processo em super-8.

Em entrevista para o Music Non Stop, Marcelo conta um pouco sobre o processo criativo e quais lições tirar deste período e o que espera provocar nas pessoas com esse novo álbum. Confira abaixo

MNS: Marcelo, ao conceber este novo trabalho, criado com colaborações a partir de experiências em lives, você o transforma em uma espécie de documentário sobre os dias atuais. O que você acha que ele dirá às pessoas no futuro?

D2: A intenção era documentar esse momento e tentar tirar algo de bom desse lugar. Eu acho que toda a raiva e ódio que eu estava sentindo no começo da pandemia eu consegui fazer nascer uma flor de dentro desse lixo todo.

MNS: Você dá destaque à participação de sua esposa, Luiza Machado, neste trabalho. Como é gravar um álbum convivendo com toda a família?

D2: Foi incrível gravar um álbum com toda a minha família. A Luiza foi muito importante durante todo esse processo. Além de cantar junto comigo, ela produziu, me ajudou a escrever letra, ela é uma artista muito forte, então essa troca de referências me fez ficar mais forte ainda.

MNS: Que aspectos deste processo de trabalho serão levados para um futuro pós quarentena? Que lições foram aprendidas neste momento que ainda servirão quando o próximo disco começar a ser pensado?

D2: Eu acho que daqui para frente tudo mudou no meu processo criativo. E eu acho que quem não mudar a atitude depois dessa pandemia vai perder uma grande oportunidade de melhorar. Levo daqui a certeza de que dá para fazer e dá para criar coisas em qualquer lugar e em qualquer momento.

MNS: Seus posicionamentos, tanto políticos e sociais quanto, digamos, tecnológicos ao conceber este álbum foram marcantes. Você acredita estar no auge da sua maturidade artística? Já dá para olhar para trás e ver tudo com clareza?

D2: Eu acredito sim numa maturidade, no auge da minha maturidade, mas não consigo olhar para trás, eu continuo olhando para frente e acho que ainda tem muito caminho a percorrer e a subir. Pelo menos é isso o que eu espero. Eu quero crescer como artista e olhando sempre para frente.

MNS: Qual o resultado, qual mudança ou questionamento você gostaria que este álbum provocasse na cabeça das pessoas que o ouvirão?

D2: Eu acho que, se esse álbum causar qualquer questionamento, já vai ser muito válido para mim, porque a minha ideia é essa: fazer com quem as pessoas questionem.

Capa álbum – Marcelo D2 – Assim tocam os MEUS TAMBORES – foto Ronaldo Land – artwork Flip

Ouça o álbum Assim tocam MEUS TAMBORES, de Marcelo D2, em todas as plataformas digitais: https://bit.ly/salveatomt

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