Liniker & Os Caramelows, Luedji Luna, Djonga, Tuyo e Joe Silhueta mostram face da política no CoMA

Fabiano Alcântara
Por Fabiano Alcântara

Afeto é política, comer é política, sexo é política, festejar é um ato político. Tudo é política e ainda mais em Brasília. Isto é o que mostrou a terceira edição do festival CoMa, que terminou no domingo (5).

Emanando axé, seguem em voo ascendente: Luedji Luna, Djonga e Tuyo, Liniker & Os Caramelows e os locais da Joe Silhueta.

Já alçada ao posto de destaque em festivais e shows pelo mundo, Liniker e banda vêm explodindo em tons de vermelho com a turnê do disco Goela Abaixo. Em Chicago, por exemplo, tocaram com Cory Henry no Millennium Park. Voltaram recentemente de extensa turnê pela Europa e Estados Unidos.

A baiana Luedji Luna é, sem dúvida, um nome da música brasileira que vai ser falado nos próximos anos. Acompanhada por uma dupla de percussionistas, violão e baixo, em uma configuração acústica, ela transfere com excelência a experiência do seu disco de estreia para o palco. Conexão imediata com o público.

Liniker em foto de Janine Moraes

Formado pelas irmãs Lay e Lio Soares e Jean Machado, o Tuyo costuma ser descrito como um afrofolk futurista. Flamingos, com Baco Exu do Blues, escancarou o potencial do trio do Paraná. Agora é questão de tempo para que comecem a emplacar hits.

Gaivota Naves, à frente do Joe Silhueta, é uma instituição local. Momentos após seu show, ela posava com uma criança a pedido do pai. “Momento tietagem, esse aqui é seu fã”, dizia. Exausta, com a pesada maquiagem derretendo, ela parecia aliviada e com a sensação de dever cumprido. O Joe Silhueta, que faz um som psicodélico, recebeu o mítico Odair José.

O mineiro Djonga falou verdades que todos os racistas deveriam ouvir e o produtor Coyote Beats soltou graves que foram sentidos na W3.

“Alguém aqui é da Ceilândia?”, perguntou o promissor rapper de BH, 25 anos, pai de um menino e uma menina. Alguns levantaram a mão, orgulhosos. O poder preto em tempos sombrios é mais sobrevivência que lacre.

Com Djonga, o swag mineiro é um botão cravado no fast forward, a voz forte ressoa sambistas da velha guarda, as divisões do vocal, puro jazz. O baixo e os beats conduzem a massa sob o céu misterioso do Cerrado, em meio a nuvens de fumaça e a secura típica de agosto.

Fechando a apresentação, Marielle Franco (1979-2018) no telão e Racionais no som. Marchando altivo, imaculadamente de branco, Djonga deixa o palco e some por trás das cortinas.

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