Imagem: ReproduçãoLembra do Myspace? Antiga rede social de música pode estar voltando
Edição: Flávio Lerner
Irmãos donos da plataforma prometem revivê-la, “totalmente livre de algoritmos”
Os irmãos Chris e Tim Vanderhook querem salvar o mundo pela segunda vez. E usando o mesmo aplicativo, o louvado Myspace, uma rede social (pré-Facebook e pós-Orkut) surgida junto com a explosão dos arquivos de MP3 como principal mídia para escutar música no mundo.

Em Myspace, documentário lançado no Hot Docs Festival, em Toronto, Canadá, dirigido por Tommy Avallone, os irmãos Vanderhook declararam: “ainda somos donos do Myspace, e vamos relançá-lo. Estamos apenas esperando o momento certo”. O papo chamou atenção, e a dupla aceitou convite para diversas outras revistas, reafirmando a ideia e dando mais informações a respeito.
O novo Myspace, segundo os irmãos, será “totalmente livre de algoritmos”, além de manter o foco na música e permitir um perfil 100% customizável. Cada usuário vai poder pintar sua casinha virtual do jeito que quiser, e chamar os amigos para visitá-la.
Esse retorno passa pela percepção de que as redes sociais atuais estão se suicidando desde que deixaram de conectar um amigo ao outro, apostando nos algoritmos de interesse e no scrolling infinito, e permitindo a farra de conteúdo gerado por Inteligência Artificial.

Entretanto, alguns críticos especializados afirmaram que o documentário é uma peça publicitária para que os irmãos joguem a isca do Myspace para possíveis investidores. Tanto que, em nenhum momento, há um plano definido, contratos ou dados financeiros sobre a realização da ideia.
É tudo um grande “talvez”. O certo é que muita gente, de saco cheio do formato atual das redes sociais, está bem ansiosa para que isso realmente aconteça.
As idas e vindas do Myspace
Entre 2000 e 2005, momento em que todo mundo estava trocando música através de arquivos, ainda não existia uma rede social customizada para isso. Foi então que os internautas começaram a perceber uma rede que tinha um tocador de música pessoal. A plataforma caiu como uma luva tanto para artistas emergentes, graças à possibilidade de divulgar seu trabalho, quanto a alguns já famosos, que viram ali uma maneira de se atualizar naquele universo e seguir em contato com as novas gerações.

Com a ascensão do Facebook, no entanto, o Myspace começou a murchar. Ainda assim, os Vanderhook decidiram comprar o website de seus criadores, Chris DeWolfe e Tom Anderson. Lembra do “amigo Tom”, aquela primeira conexão obrigatória que aparecia quando você criava sua conta? É ele mesmo.
Os irmãos viram o site, e o valor de sua empresa, definharem de vez quando a rede social entrou definitivamente no ostracismo. Mas esse mundo, que é redondo, dá voltas, não é? Começaram a perceber, quase dez anos depois, uma certa nostalgia de sua rede social pipocando pela internet.
Em 2020, um garoto alemão chamado Anton Röhm (que nunca havia usado o Myspace em seus áureos anos), entendiado pelo lockdown, resolveu programar sozinho um clone exato da antiga rede, e a nomeou de Spacehey. Atualmente, tem mais de um milhão de usuários.
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E você? Usaria o Myspace de novo — ou pela primeira vez?



