Larissa Luz: ‘Misturar o ancestral com universo lúdico futurista tem a ver com nossa vivência’

Fabiano Alcântara
Por Fabiano Alcântara

O afrofurismo brasileiro deve muito à Bahia e uma de suas maiores expressões é Larissa Luz. Sua macumba pop é um feitiço para bons ouvidos da música contemporânea em Trovão (Natura Musical), álbum lançado recentemente.

Com produção de Rafa Dias, o terceiro trabalho solo da artista, que brilhou como Elza Soares no musical Elza, tem participações da  brasiliense Elen Oléria e uma turma boa da Bahia: Lazzo Matumbi, Luedji Luna, Letieres Leite e o alabê Gabi Guedes.

A faixa Gira – composta por ela em parceria com Bia Ferreira e Doralyce – gamhou um clipe conceitual e impactante dirigido por Heitor Dhalia, que assim como a canção, faz uma abordagem moderna e pop da magia original africana.

Em 2019, como reforça a artista, Mãe Stella de Oxóssi e Makota Valdina, duas importantes ialorixás na luta contra o racismo religioso, seguiram para o Orun. Além disso, uma lei que descriminaliza o sacrifício de animais em ritos religioso gerou uma série de polêmicas que evidenciam a falta de conhecimento da sociedade sobre a cultura afro-brasileira.

O projeto foi selecionado pelo Natura Musical por meio do edital 2017 e do Estado da Bahia, através do programa Fazcultura, Secretaria de Cultura e Secretaria da Fazenda.

Leia nossa conversa com a cantora e compositora, um dos nomes mais destacados da sua geração.

Por que o disco chama Trovão?
Larissa Luz – Trovão é som que ecoa, estronda. Elemento da natureza relacionado a Iansã e eu sou de iansã. Trovão também é xangô que é justiça. Trovão vem com raio, luz, descarga elétrica. Achei que era uma boa metáfora para o que queria trazer nesse disco. Som que reverbera que bate forte e ressoa como uma descarga elétrica no corpo e na mente.

Como você acha que o Brasil pode contribuir mais para o afrofuturismo?
Larissa – O Brasil tem a cultura negra de base, pulsante, o brasileiro é criativo e parece ser sagaz na arte da construção imaginária. Misturar o ancestral com esse universo lúdico futurista tem muito a ver com a nossa vivência e acho que o Brasil pode criar coisas incríveis dentro dessa perspectiva!

O que você acha que está rolando de mais interessante na música hoje?
Larissa – A Bahia (risos). O Baiana System, o Attooxxa, o Afrocidade, a Rumpilezz…

Existe algo na sua música que seja típico de seu lugar de origem?
Larissa – Sim. Busco misturar o groove arrastado, ijexá, samba duro com rítimos do mundo. O Típico do meu lugar de origem terá muito de países africanos porque é a nossa base de construção cultural.

Quais são suas maiores influências?
Larissa – Nina Simone, Nneka, Buraka Som sistema, MIA…

Quais são seus valores essenciais?
Larissa – Faço tudo buscando a verdade e o equilíbrio onde o respeito é o ponto de partida!

Qual a mensagem principal deseja transmitir pela sua música?
Larissa – Há um tempo venho fazendo da minha música ferramenta política. Uma forma de transformar o meio que me cerca e as pautas que mais me tocam tem a ver com racismo, intolerância respeito, feminismo.

Então tento através da arte levar mensagens que contribuam com os movimentos que vibrem no sentido de resolver questões relacionadas a esses temas. Uma música que visa através do movimento e da identidade sonora atravessar corações e quebrar barreiras.

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