Jon Bon Jovi Foto: Reprodução/Instagram

Espírito de Natal: Jon Bon Jovi e mais 5 músicos que mudam o mundo

Jota Wagner
Por Jota Wagner

Quando a filantropia é realmente levada a sério pelos astros da música

“Pinte a sua vila e terá pintado o mundo.” “Uma viagem de mil léguas começa no primeiro passo.” “Seja a mudança que você quer para o mundo.” O que não falta é provérbio estoico mostrando para nós que um mundo melhor só pode ser conquistado com seres humanos melhores. E sabe o que é louco? Cada um pode, mesmo, modificar o que está à sua volta, começando por si mesmo, em pequenos atos diários, em sua casa e em seu ambiente de trabalho.

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O mundo da música sempre foi envolto na romantização da fama, do dinheiro gordo e do narcisismo. Sexo, drogas e rock’n’roll. Muita gente já estabelecida no show business, no entanto, conseguiu escapar desse loop. Dar dinheiro é legal, ajuda. Mas botar a mão na massa é sensacional.

Você pode amar ou odiar a música do Bon Jovi, mas é difícil “passar pano” pra boa onda de seu líder, Jon Bon Jovi. O cara é dono de um dos projetos sociais mais bacanas dos Estados Unidos, a Soul Kitchen, um braço de sua Soul Foundation. Trata-se de um restaurante onde cada um paga o que pode. E quem não pode, simplesmente troca a refeição com algum bico básico no espaço, como lavar pratos, servir mesas ou dar um tapa na limpeza.

Na Soul Kitchen, todo mundo come a mesma coisa, não importando se você pagou ou não, sem diferenciações nas mesas ou fila. Não para por aí: quem está sempre lá dando expediente é o próprio Jon. O mano lava pratos, serve a comida e bate papo com a galera nas mesas. Unindo solidariedade e humanidade, é um projeto inspirador, mas não o único. Conheça outros cinco músicos que mudam o mundo, mudando a si mesmos.

Jon Bon Jovi

Jon Bon Jovi em sua Soul Kitchen. Foto: Reprodução

David Byrne

Para combater o discurso de ódio, David Byrne, fundador dos Talking Heads, inventou um jornal que só divulga boas notícias. Na verdade, descobertas e ações que realmente modificam as coisas para melhor e tiram da gente aquela sensação de desesperança no futuro. O Reasons To Be Cheerful é mantido por cientistas, jornalistas e ativistas sociais, mapeando boas ideias mundo afora.

Willie Nelson

Junto a Neil Young e John Mellencamp, Willie Nelson criou a fundação Farm Aid, dedicada a lutar pelos agricultores familiares dos Estados Unidos. Mas é Nelson quem participa de tudo o que envolve os eventos, botando a mão na massa. O grupo pressiona governos por políticas agrícolas mais justas, defende reforma no sistema de subsídios, critica publicamente a concentração de terras, apoia agricultores contra grandes conglomerados, ajudando financeiramente e juridicamente em processos como, por exemplo, casos de falência. A grana para isso é levantada com doações e, principalmente, shows. E o senhor Nelson está em todos, mesmo com mais de 90 anos de idade.

MV Bill

Em 2000, MV Bill, Celso Athayde e Nega Gizza criaram a CUFA (Central Única Das Favelas). Hoje, a organização está presente em todos os estados brasileiros e em mais de 15 países. No projeto, os seus criadores seguem a cartilha Jon Bon Jovi, participando ativamente em todas as etapas administrativas, que inclui até mesmo uma copa de futebol, a Taça das Favelas, que já revelou diversos jogadores profissionais.

Michael Franti

O cantor estadunidense Michael Franti mantém, ao lado da esposa Sara Agah, a fundação Do It For Love, dedicada a levar alívio a pessoas com doenças e traumas graves através da música. O projeto é muito legal e conta com o envolvimento total de Franti. Nada de “arrecadar dinheiro”. O lance da ONG é promover viagens para que pessoas gravemente doentes assistam a shows, encontros pessoais com artistas, experiências musicais íntimas (não só grandes concertos) e apoio emocional a famílias e cuidadores.

Carlinhos Brown

Antes de ser artista dos mais ativos na música brasileira, Carlinhos Brown é um educador. Fundou a associação Pracatum, dedicada a “usar a música, a cultura afro-baiana e a tecnologia como ferramentas de educação, cidadania, profissionalização e transformação urbana”. A Pracatum é a prioridade de Carlinhos, vindo antes de sua carreira artística. Na organização, ele segue como criador, coordenador e, para a alegria da garotada, professor de música. Tio Brown dá aulas e oficinas, orienta jovens artistas, cria métodos próprios de ensino rítmico e acompanha processos criativos do início ao fim.

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Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.