‘Improviso precisa de prática e treino’, diz Marinho, nome promissor do rap de Brasília

Fabiano Alcântara
Por Fabiano Alcântara

Antes do show do ícone cearense Don L no fim de semana pelo Bud Vibes, em Brasília, o rapper Marinho passou como um trator pela seletiva do concurso de batalhas de rimas improvisadas e classificou-se para a final na Casa da NBA em São Paulo, no dia 8 de junho.

Marinho não é nenhum iniciante. Aos 28 anos, ele tem 13 anos de rap, sete de batalhas de rima, quatro álbuns lançados e mais um prestes a sair.

Leia nossa ideia com o MC em que ela fala sobre batalhas, técnica, influência e outros assuntos:

Quais são os pró e contras de fazer parte da cena de Brasília?
Marinho – Na minha opinião, os prós da cena de batalhas de MCs em Brasília são a grande quantidade de batalhas, a união da grande maioria dos envolvidos e o conhecimento adquirido nas batalhas, os contras são a grande falta de apoio do governo, o preconceito que ainda acontece com o movimento, a opressão por parte da polícia que não procura saber qual o objetivo do movimento.

Que dica daria para um rapper que deseja aprimorar sua técnica de improviso?
Marinho – O improviso é como qualquer outra modalidade, precisa de muita prática e treino, leitura em geral é o principal fator de ajuda, rimar sozinho e em grupo é fundamental, atividades como palavras diretas e sudoku ajudam no raciocínio.

O que você acha que está rolando de mais interessante na música hoje?
Marinho – Algumas oportunidades tem surgido, o que não acontecia antes, o preconceito com o rap aos poucos vem diminuindo consideravelmente, acho que o mais interessante hoje em dia é que já parece possível viver de música.

De que maneira você espera que a final em SP transforme a sua carreira?
Marinho – Eu vou lançar um CD na mesma semana da final, espero conseguir uma visibilidade pra esse trabalho, não quero criar expectativas de que essa final possa transformar minha carreira, o que vier será bem vindo.

Aos 28 anos, Marinho não é iniciante, mas está prestes a estourar

Quais são as principais diferenças entre a geração atual do rap e de grandes monstros como Racionais, GOG, MV Bill?
Marinho – As gerações atuais estão vivendo uma fase de mais facilidade de produção e de divulgação e até mesmo de causa, as gerações passadas não tiveram tanta facilidade e merecem total respeito e reconhecimento pro abrir caminho pra nova geração, fico triste quando vejo MCs mais novos que não conhecem trabalhos como o do Realidade Cruel, GOG, Inquérito, N de Naldinho, Racionais, Facção Central, Liberdade Condicional, Viela 17 e tantos outros.

Quais são suas maiores influências?
Marinho – Na música são Tribo da Periferia, Shawlin, GOG, Realidade Cruel, Inquerito, Rashid e se eu for falar todos vai virar um livro (risos). Nas batalhas são Emicida, Douglas Din, Biro Biro, DeJAH, Nauí, Singelo, Gil Metralha…

Quais são seus valores essenciais?
Marinho – Não abro mão da sinceridade, companheirismo e bom humor.

Qual a mensagem principal deseja transmitir pela sua música?
Marinho – Isso tem uma grande variação de acordo com o que to vivendo no momento, em trabalhos antigos já transmiti muita mensagem de religião (Epidemia Gospel – A Verdadeira Epidemia 2009), histórias de vida (Marinho – Mixtape Cicatrizes 2012), protesto (BesouroCrew – NoizQueVoa 2014), motivacional (BesouroBass – Até que a Vida Acabe 2017) e agora vou lançar um CD que transmite muita alegria, bom humor e felicidade (Marinho – Viva a Vida 2019).

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