homem aranha e doutor estranho

Homem-Aranha: Sem Volta para Casa usa a interatividade com os fãs para construir o roteiro e encher os cinemas novamente

Por Luisa Pereira

Homem-Aranha: Sem Volta para Casa faz do fanservice um trunfo narrativo

“No escurinho do cinema, chupando drops de anis, longe de qualquer problema.” A música cantada por Rita Lee reflete o sentimento que o retorno aos cinemas traz, depois de quase dois anos de pandemia. No epicentro deste acontecimento, Homem-Aranha: Sem Volta para Casa é um título sugestivo para uma sociedade que ficou desconectada dos rituais de encontro. O ambicioso projeto da Marvel e da Sony é a volta às telonas de muitos cinéfilos, que, em abstinência e ávidos por novidades, estão com a expectativa em alta. Criado especialmente para deleite dos fãs e para capturar a nova geração na sua teia narrativa, o filme é um marco do fan service.

O fan service pulou do universo dos animes e dos mangás para o cinema, e no rastro trouxe controvérsias e divisões de opiniões. Mas, afinal, o que é fan service? Em tradução literal, significa “serviço ao fã”, e faz parte do cardápio da indústria do entretenimento, presente nas séries e nas sagas de filmes, com ideias enxertadas nas obras para atrair e satisfazer a vontade dos fãs. É quase ao estilo gênio da lâmpada: qual o seu desejo? Como são muitas vozes e vontades, o perigo é perder a identidade e fazer da obra um fast-food insosso, sem alma.

As mídias sociais aumentaram o engajamento e também colocaram um megafone nas mãos do público, que externaliza, sem pudor, o roteirista que tem em si, com poder de mudar o curso da história. É uma simbiose: o público e o mercado se alimentam dessa interdependência – um, com doses de entretenimento; o outro, com lucro. Os filmes que fazem mais sucesso são os que despertam mais apelo, daí fazer concessões e satisfazer os anseios dos fãs virou prática comum em franquias como Star Wars, Harry Potter e Universo Marvel, que fazem mágica nas bilheterias e no streaming.

Buzz não é sinônimo de sucesso

O inverno está chegando! Quando chegou, não foi o idealizado por boa parte dos fãs de Game of Thrones. A série, até a quinta temporada, foi baseada nos livros homônimos de George Martin; depois, trouxe uma livre interpretação para o desfecho. O Trono de Ferro, o último episódio, foi o mais visto da história da HBO: 19,3 milhões de pessoas nos Estados Unidos. A oitava e última temporada teve audiência estratosférica, registrada no Guinness World Record, mas, em contrapartida, teve os piores índices de aceitação, com 54%, quando as outras tiveram acima de 90%. Nem sempre repercussão, buzz, é sinônimo de aceitação e sucesso.

Quando o fanservice dá match com a narrativa

Homem-Aranha: Sem Volta para Casa, que estreou nos cinemas brasileiros na quinta-feira, 16/12, por outro lado, se apropriou das características do fan service com inteligência e fez dele um gatilho emotivo, sem se sobrepor à trama. Na abertura de um portal dimensional, trouxe cinco conhecidos inimigos do vulnerável super-herói: Duende Verde, Doutor Octopus, Electro, Lagarto e Homem-Areia. A referência aos filmes anteriores só faz aumentar a sensação de pertencimento e a comoção de, após um tempo árido, regressar a uma sala escura, deixar a vida em pausa e se entregar por quase duas horas e meia a um universo de fantasia familiar, que está no imaginário de gerações. O público se identificou e vibrou após a exibição nos EUA – o filme registrou aprovação de 98% no site Rotten Tomatoes.

A pré-venda de ingressos para o filme foi disputada pelos fãs. Quem lutou para ver nem imagina quanto o ator Tom Holland malhou para dar vida ao personagem. O Homem-Aranha pode não ter o shape de Capitão América ou Thor, antes de Vingadores: Ultimato, mas o herói aracnídeo precisa de corpo definido, agilidade e velocidade. Em atividades que requerem resistência, além de uma dieta balanceada, prescrita por um nutricionista, suplementos como whey protein são utilizados para aumentar a massa muscular magra. O ator ganhou músculos tonificados, com acompanhamento de profissionais especializados, e auxílio de atividades como boxe, estímulo muscular elétrico, circuito de máscara de altitude e marretada no pneu. Isso mesmo, não levantou o martelo de Thor, como Capitão América, um fan service ovacionado da Marvel, mas marretou muito pneu para incorporar o espírito do personagem.

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