Gravação do disco novo da banda INKY começou com iPhone e uma lousa. Baixista conta o que rola dentro do estúdio de gravação

Por Guilherme Silva

Gravar um álbum é uma coisa muito intensa. Durante as gravações do segundo CD da INKY, dava para ver o desgaste físico e mental em todos os envolvidos no projeto, principalmente nos últimos dias. Quando se põe muito amor em algo, o desgaste é inevitável. Porém, vale muito à pena. Estou escrevendo este artigo enquanto ouço o nosso trabalho, e só consigo sentir orgulho.

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Bom, vamos para o começo. Em novembro do ano passado, o Luccas Villela entrou na banda. A INKY já vinha querendo gravar um álbum novo há algum tempo e, com a entrada do Luccas, conseguimos materializar e entender para onde gostaríamos de ir com esse trabalho. As músicas da INKY são sempre criadas através de jams. A gente liga os equipamentos, aperta “gravar” no iphone e saí tocando o que vem na cabeça. Esse processo é bem prazeroso, mas, ao mesmo tempo, bem confuso.

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A gente sempre acaba tendo umas 120 bases, e pra escolher um ponto de partida não é fácil. O que fazemos é pegar uma lousa gigante e anotar tudo que temos e pensar o que combina com o que. A gente faz bastante isso de juntar “jams” e transformá-las numa música só. Em março tínhamos o álbum nas nossas mentes, porém, faltava transformá-lo em realidade.

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Estávamos bem empolgados em voltar pra nossa casa, o Red Bull Studio SP, local onde gravamos o Primal Swag. Ainda mais agora que teríamos a produção de um cara que admiramos demais, o Guilherme Kastrup, que simplesmente foi o responsável pela produção de A Mulher do Fim do Mundo, da Elza Soares, do ano passado. Para nós, o melhor álbum nacional lançado em 2015.

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A ideia de trabalhar com ele veio através de uma vontade nossa de nos empenharmos com um produtor que ajudasse a banda a chegar ao som que queríamos para este álbum. Sinceramente, não tenho palavras para descrever como foi esse processo com o Kastrup. Chegamos pra conversar com ele, na maior cara de pau, depois de um show do projeto solo dele; trocamos alguns emails e, do nada, já estava no nosso estúdio ajudando na pré-produção do álbum.

O prazer de trabalhar com uma lenda viva que nem o Gui é absurdo. Ainda mais ao ver a maneira como se empolgou com a gente e entrou de cabeça no projeto. Ele foi, sem dúvidas, uma peça essencial para essa fase da INKY.

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Tivemos duas fases no estúdio: entre os dias 16-18 de maio e depois de 4 a 20 de julho. O Primal Swag foi gravado com pouco tempo no estúdio e, desta vez, quisemos trabalhar sem pressa. Este próximo, sem dúvida, é mais trabalhado do que o seu antecessor.

Primal Swag é agressivo e linear. O seu sucessor tem mais dinâmica e, pela primeira vez na vida, tentamos tratar as músicas (“jams”) como canções. Começamos gravando Parallax, a música que iríamos lançar como single. Logo de cara deu pra ver que a sintonia INKY + Kastrup + Funai e Ale (engenheiros de som do RB Studio SP) estava afiada. Gravamos mais duas músicas nesse primeiro período e deixamos para gravar o restante, após a turnê na Europa, que aconteceu em maio e junho.

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Uma das coisas mais legais de gravar um álbum é receber os amigos e pessoas queridas pra curtir o dia no estúdio com você. O estúdio é um lugar sagrado e a energia que está sendo criada e transmitida ali reflete nas músicas. Não tenho dúvidas disso! Portanto, receber pessoas que trazem boas energias no processo da gravação é sensacional.

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Desta vez, tivemos a sorte de ter a energia dos Far From Alaska, ScaleneMarco Guasti (a.k.a. Faz Tudo na INKY), Lumen Craft, Gustavo Ruiz, Bratislava, AloizioBixiga70, Valesuchi e algumas outras pessoas queridas. Por falar no Bixiga70, gravamos uma música com a participação deles e foi, sem dúvida alguma, um dos momentos mais marcantes na nossa vida como banda. Quando começaram a tocar em cima da nossa música, mostrando o que tinham pensado pro som, a gente quase chorou. Somos fãs e acredito que a música com eles vai ser bem diferente de tudo que a gente já fez.

Bixiga70 gravando metais no novo disco da INKY

Aliás, este álbum é cheio de coisas diferentes de tudo que a gente já fez. Gravamos com o quarteto de metais do Bixiga70 e, em outra track, com o quarteto de cordas que gravou no A Mulher do Fim do Mundo; fizemos dobras de vozes, pensamos nas músicas como canções (sem perder a essência da “jam”) e tivemos um desapego com as tracks que não tivemos no Primal Swag. Basicamente, no Primal Swag, eram uns 15 a 20 takes por música (considerando que gravamos ao vivo – sempre!). Neste foram entre 5 e 10. Muito disso veio do Kastrup, que acredita ainda mais do que nós que erros humanos devem ser valorizados. Vale lembrar que no encarte do Primal Swag estava escrito “This album contains human imperfections”.

O próximo álbum da INKY sai em agosto e o show de lançamento vai ser dia 27 do mesmo mês no CCSP. Estou bem contente e realizado com o nosso trabalho. Acho que as pessoas vão se surpreender ao ouvir o sucessor do Primal Swag e vão notar uma evolução na banda como um todo.

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