‘Fio condutor das minhas relações é a música’, diz Manoel Cordeiro, herói da guitarra

Fabiano Alcântara
Por Fabiano Alcântara

O som do Brasil ecoa no novo trabalho de Manoel Cordeiro. Lançado com patrocínio do programa Natura Musical através da Lei Semear, Guitar Hero Brasil está disponível em todas as plataformas digitais celebrando um país, e chega a São Paulo, depois de estrear em Belém, no dia 28 de setembro, no Z, a partir das 22h.

Debruçado principalmente sobre a região Norte, o artista de 64 anos chega ao seu segundo álbum solo revisitando a identidade cultural amazônica, mas com colaborações que redimensionam a pesquisa sonora do artista. Olhando para o topo do país, músicos como Kassin, Liminha, Pedro Garcia, Gustavo Ruiz,  Luiz Chagas e Felipe Cordeiro festejam as raízes e apontam para os caminhos contemporâneos da música nortista. Zé Renato e Patrícia Bastos ajudam ainda a dar voz aos sons criados por Manoel Cordeiro em uma das faixas.

No show que celebra o álbum, Manoel é acompanhado por Márcio Teixeira (bateria), Klaus Sena (baixo), Edésio Aragão (guitarra), Sthe Araújo (percussões), e contará ainda com as participações de Kassin e Luiz Chagas. A noite tem também discotecagem de Zek Picoteiro (PA) e Pardieiro DJ set. Os ingressos estão à venda em: encurtador.com.br/alvMO

Como Guitar Hero Brasil se relaciona a sua trajetória musical?
Manoel Cordeiro –
Nesse disco eu fui claro em trazer a minha história musical, toda a minha trajetória na música está ali. Desde o comecinho, por exemplo, quando eu tinha 12 anos e, em Macapá, frequentava os batuques de marabaixo, as festas locais. Isso ficou na minha mente, e é uma musicalidade muito forte. O Batuque é a festa dos negros, o marabaixo é o lamento. Então, nesse disco, eu quis trazer essas linguagens. E pra mim era muito importante ter essa sonoridade, os sons locais de verdade.

Por que o foco em música amazônica?
Manoel –
É uma forma de afirmação de que o que é feito lá é Música Popular Brasileira. É feita na amazônia, e seus vários ritmos, reúne música folclórica, música com influência caribenha, mas é música popular brasileira. A minha ideia é colocar a Amazônia na cena brasileira, sem separação. O que tem ali é música popular brasileira.

Existe alguma vontade de reforçar a importância cultural da região diante do momento político que vivemos?
Manoel – Há algum tempo eu costumava dizer que a Amazônia era a última fronteira a ser transposta pela humanidade. Eu pensava justamente nesse momento em que a gente fosse deixar isso claro. É uma região exuberante, não só pela sua natureza, mas por seu povo, os indígenas, os povos originários. Então esse segundo disco, provavelmente de uma trilogia que eu pretendo fazer, é essa afirmação da Amazônia como uma região essencial. É uma vontade que a gente possa discutir essa consciência, de que forma a gente vai cuidar disso, de que forma vamos defender isso. A gente que vive lá, que percebe essa questão de perto, é quem realmente pode levantar essa questão com tranquilidade, e com força.


O que podemos esperar desse encontro com Kassin e com o Luiz Chagas?
Manoel – O Chagas é um parceiro novo, e que tem uma musicalidade incrível. A primeira vez que eu o vi foi em Belo Horizonte, numa passagem de som, e fiquei encantado. Me encantei com os sons dele, os timbres lindos dele, distorcidos. A forma que ele interpreta e lê a música. E a gente tem uma afinidade pra além da música, que é esse lance de ser pai, e de ter filhos artistas (eu, o Felipe, ele a Tulipa e o Gustavo Ruiz). A gente fala muito sobre isso, sobre acompanhar eles nos shows. Isso nos aproxima muito, e eu sou muito fã dele. Vai ser uma alegria dividir o palco com ele no Z.Já o Kassin é um irmão, um filho, um amigo pra todas as horas, além de ser, claro, um cara genial, um músico fora da curva. Então encontrar com eles vai ser refletir a vivência musical que tenho hoje, e colocá-la de encontro com a minha história. Eu me sinto começando com 12 anos, em Macapá, aprendendo os marabaixos e batuques, depois indo pra Belém, tocando brega, lambada, até a minha vivência contemporânea, com os músicos que eu estou próximo hoje.

O que me sinto mais feliz é perceber que consigo transpor as fronteiras todas: não tenho amarras ou ranços ou preconceitos. Minha maior felicidade na música é estar misturado, junto com gente que pensa música e todas as suas linguagens. O fio condutor das minhas relações é a música.
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