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Festival Choro Jazz 2025: entre shows, dunas e poesia

Festival Choro Jazz 2025

Foto: Lorena Fadul/Divulgação

Adriana Arakake conta como foi mais uma edição do evento na Vila de Jericoacoara, no Ceará

Entre 02 e 07 de dezembro, Jericoacoara viveu aquele raro fenômeno em que o lugar e o evento parecem ter sido inventados um para o outro. Com seu mar de um azul impecável e dunas que abraçam o horizonte, a vila cearense — já naturalmente musical no vento, nas ondas e no vai e vem da areia — transformou-se na capital da música instrumental brasileira, acolhendo mais uma edição do Festival Choro Jazz.

A praça principal assumiu seu papel de sala de concerto a céu aberto. Uma exposição lindíssima ocupava o centro, compondo com o vento, com a música e com o movimento constante da vila. Ao redor, as barracas de comida perfumavam a noite.

O festival manteve sua tradição de aproximar música e palavra. Jean Garfunkel e grupo apresentaram Terra que te quero verde, costurando poesia, memória ambiental e canções em um espetáculo que dialogou naturalmente com a atmosfera de Jeri.

No sábado, Rosa Passos fez um dos concertos mais marcantes da semana — 18 músicas revisitadas com a delicadeza e o rigor que são só dela. Ao final, recebeu uma homenagem especial. A presença de Fernando de Oliveira, parceiro em canções essenciais como Dunas, trouxe emoção contida e verdadeira ao encontro.

Rosa Passos. Foto: Divulgação

Depois, o grupo Tocaia, formado por jovens instrumentistas do Rio, levou o forró para um lugar vibrante e contemporâneo. A participação da cearense Tâmara Lacerda ampliou ainda mais esse diálogo afetivo entre regiões. Em frente ao palco, o público formou uma quadrilha espontânea, e Rosa voltou para assistir à recriação de Dunas — um daqueles pequenos instantes que o festival sabe criar.

O domingo fechou a programação com Instrumental Picumã (RS), Luizinho Calixto (PB/CE) e o poderoso encerramento das Suraras do Tapajós, que transformaram o fim do evento em um espaço de força coletiva, beleza e identidade.

Ao longo da semana, outros nomes também brilharam no Festival Choro Jazz: Chico Pinheiro, Amaro Freitas — sempre impecável — e o emocionante show do MPB4 celebrando 60 anos de história em uma apresentação afetuosa. O grupo cantou os grandes sucessos da carreira e foi acompanhado em coro pelo público. Tunico, do Rio de Janeiro, e seus virtuosos parceiros trouxeram o frescor da cena atual carioca.

Amaro Freitas. Foto: Divulgação

As noites ganhavam outro tom quando a rua principal se enchia das barracas de caipirinha, coloridas, iluminadas, cheias de frutas. Um dos momentos mais bonitos aconteceu quase sem anúncio: à beira-mar, uma pequena roda de forró, onde a professora das oficinas de dança dançava com seus alunos, como se a aula tivesse simplesmente continuado na praia.

O passeio de buggy pelas dunas é outra experiência que merece lugar no roteiro. Divertido e cheio de descidas e cavalos de pau que arrancam risadas, pede alguns cuidados simples: óculos, lenço para o rosto, protetor solar, água. O vento carrega areia para todo lado; os bugueiros, sempre cobertos como quem cruza o deserto, são o melhor lembrete disso.

Para quem busca sossego sem abrir mão de conforto, a Pousada Baobá foi uma escolha precisa: bem pertinho de tudo, tem quartos voltados para um jardim tranquilo, limpeza impecável, atendimento cuidadoso e um café da manhã ótimo — o tipo de lugar para um retorno confortável depois de um dia de sol, música e dunas.

Jean Garfunkel. Foto: Divulgação

A vila de Jeri é de areia, sem asfalto e sem carros, e o que se vê são pessoas caminhando devagar, restaurantes pé na areia iluminados por luzes amarelas e uma atmosfera que parece existir fora da pressa do mundo.

O Choro Jazz se encaixa nessa paisagem sem disputar espaço, ampliando o que já é bonito. A música sai do palco, costura os caminhos, acompanha quem volta do jantar e encontra quem nem sabia que precisava ouvir aquelas melodias.

Em Jeri, música, natureza e cotidiano se misturam sem esforço. Nada tenta parecer mais do que é. E talvez seja justamente isso que faz do Festival Choro Jazz um encontro tão perfeito com a vila: tudo ali acontece no tempo certo e na medida exata.

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