Lázaro Ramos em “Feito Pipa”. Imagem: Reprodução“Feito Pipa”: Depois de Fernanda e Wagner, Lázaro é o próximo a brilhar no Oscar?
Edição: Flávio Lerner
Saiba mais sobre o filme que pode representar o Brasil no Oscar 2027 — e a incrível coincidência com a comédia Saneamento Básico
Feito Pipa é um longa-metragem brasileiro, gravado em Quixadá, no sertão do Ceará. O roteiro é assinado por Allan Deberton (Pacarrete) e André Araújo, e a direção por Deberton. O filme é um dos destaques do cinema nacional em 2026 e foi anunciado pela Academia Brasileira de Cinema, no dia 16 de setembro, como o representante do Brasil na corrida por uma vaga, na categoria de “Melhor Filme Internacional”, no Oscar de 2027.
A obra acompanha a história do garoto de 11 anos Gugu (Yuri Gomes), uma criança criativa e afetuosa que é apaixonada por futebol, dança e maquiagem, criada pela avó Dilma (Teca Pereira). Quando ela começa a apresentar problemas de memória decorrentes da saúde fragilizada, o menino tenta esconder a situação para evitar ter de se mudar e viver com seu pai, Batista (Lázaro Ramos), com quem mantém uma relação distante, marcada por dificuldades de aceitação e silêncio no lugar de carinho.
Ao mesmo tempo, o local em que a família vive passa por uma seca prolongada que faz emergir as ruínas de uma antiga cidade, submersa por uma barragem. Essa cidade pode ser entendida como metáfora para as transformações que estão acontecendo na vida daquelas pessoas.
O longa brasileiro passou por um circuito de festivais prestigiados, como o Festival de Berlim, no qual estreou na mostra Generation Kplus, conquistando o Urso de Cristal de “Melhor Filme” e o “Grande Prêmio do Júri Internacional”. Além disso, foi também finalista do Teddy Awards.

No Brasil, foi a obra mais premiada da 54ª edição do Festival de Gramado, com os Kikitos de “Melhor Direção”, “Melhor Atriz”, “Melhor Ator Coadjuvante”, “Melhor Filme pelo Júri Popular” e uma “Menção Honrosa” para o jovem estreante Yuri Gomes.
Retratar a identidade de uma criança afeminada, sem desculpas ou estereótipos, transferindo o conflito principal para o preconceito do mundo ao seu redor, é um dos pontos positivos de Feito Pipa. Nesse contexto, a narrativa evita antagonismos simplistas. O pai de Gugu talvez seja o melhor exemplo disso, pois é um homem que vive o conflito para superar seus próprios preconceitos. Embrutecido pela vida, não consegue manifestar o amor que sente pelo filho.
Além desse drama pessoal, um tanto inspirado na infância autobiográfica do roteirista André Araújo no interior nordestino — em entrevista durante o Festival de Gramado, André conta que escreveu o personagem de Gugu pensando em como gostaria que tivesse sido sua infância como criança afeminada —, a obra expande seu alcance ao entrelaçar a jornada do protagonista a um pano de fundo político.

Abordar o deslocamento de moradores de uma pequena cidade, motivada pela construção de uma barragem, reforça de maneira orgânica a busca do protagonista por pertencimento em sua comunidade.
Em razão de sua sensibilidade narrativa, combinada ao alcance universal (temática queer) e forte identidade brasileira, a obra foi selecionada pela comissão presidida por Clélia Bessa como a representante do Brasil para tentar uma vaga entre os cinco indicados a “Melhor Filme Internacional” no Oscar 2027.
Feito Pipa superou outros cinco finalistas nacionais: 100 Dias, A Fabulosa Máquina do Tempo, A Natureza das Coisas Invisíveis, Nosso Segredo e Vicentina Pede Desculpas. A produção segue agora para a etapa de pré-seleção da Academia, que divulgará a lista de 15 semifinalistas em 15 de dezembro, e os indicados em 21 de janeiro de 2027.
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O filme cearense terá sua carreira impulsionada não apenas em festivais internacionais, mas também por meio de acordos de distribuição em países da Europa, Ásia e América Latina. No Brasil, por ora, a produção será exibida no Festival do Rio em outubro antes de sua estreia nos cinemas brasileiros, em 05 de novembro.
Diante de toda essa repercussão, a escolha do longa também gerou comoção nas redes sociais ao resgatar uma coincidência com os recém-indicados ao Oscar Fernanda Torres e Wagner Moura. Como os colegas de elenco de Lázaro Ramos em Saneamento Básico, o Filme alcançaram o reconhecimento da premiação nas duas edições anteriores, o público passou a apontar o ator como o terceiro integrante da comédia de 2007 a seguir o mesmo caminho, 20 anos depois.



