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Ebony: “Estarmos vivas já é nosso maior posicionamento”

Ebony

Foto: Fernando Mendes/Divulgação

Edição: Flávio Lerner


Entre o lançamento de KM2 (De Luxo) e o show da turnê do disco em SP, rapper fala com Claudia Assef sobre arte, evolução e conduta

Aos 25 anos, Ebony é uma das vozes mais contundentes e originais do rap nacional contemporâneo. Nascida na Baixada Fluminense,  construiu uma trajetória marcada por lirismo afiado, estética própria e uma abordagem frontal de temas como identidade, raça e gênero — elementos que ganham ainda mais profundidade em KM2 (De Luxo), versão expandida de seu elogiado álbum lançado em 2025, lançada nesta segunda (06). No novo trabalho, ela amplia o espectro emocional e político de sua obra, mergulhando em questões como a vivência da mulher negra periférica e o impacto crescente do feminicídio.

Às vésperas de seu show na Audio, em São Paulo, marcado para esta sexta-feira, 10, a artista trocou uma ideia com o Music Non Stop sobre liberdade artística, evolução pessoal e o momento social do país.

Claudia Assef: Em várias de suas letras, a violência contra a mulher é abordada de forma direta. Como você enxerga o papel do rap feminino atual no enfrentamento ao feminicídio e na educação da sociedade sobre esse tema?

Ebony: Eu acho que o rap feminino não tem obrigação nenhuma de ensinar ninguém, de salvar ninguém. Somos livres. Se for pra usarmos a palavra “obrigação”, que seja a mesma obrigação que os homens têm no rap masculino — que até então, se mostra nula. Que as mulheres do rap possam falar sobre não só sobre as dores, sobre feminícidio e sobre as mortes, mas também sobre as felicidades, as confusões sobre ser uma garota jovem, sobre sexo, autoestima, sobre tudo.

Estarmos vivas já é nosso maior posicionamento.

O KM2 (De Luxo) chega como uma versão atualizada do álbum lançado em 2025. O que mudou nessa nova edição, sonoramente, liricamente ou conceitualmente, e por que você resolveu revisitar esse trabalho agora?

Quando eu tava escrevendo, eu não fazia a menor ideia do tamanho que isso podia ter, por serem letras muito pessoais, muito profundas, muito minhas, muito da minha história. Eu não sabia que as pessoas fossem ver isso com tanto carinho, principalmente as crianças. É extraordinária a forma que [o álbum] foi recebido, foi uma coisa que eu nunca tinha visto antes. Então me causou a sensação de: “pô, merece um trabalho, um carinho e uma atenção maior”. Agora eu finalmente consigo dizer que tá completo.

Você tem colaborado com nomes de diferentes vertentes do rap e do funk. Existe algum artista com quem você ainda não gravou, mas que considera essencial para representar a força das mulheres na cena?

Poxa, eu quero trabalhar com todas as mulheres da cena. Assim que eu fizer uma música e falar: “pô, essa música tem que ser dessa pessoa”, vai chegar pra ela, com certeza. Eu acredito muito na música, no espírito da música, e, definitivamente, eu admiro todas elas e sei que estão representando a força das mulheres.

Nos últimos anos, o rap nacional viu uma explosão de vozes femininas em posições de destaque. O que ainda precisa mudar para que essa ascensão se converta em equidade real de oportunidades e reconhecimento?

A sociedade como um todo, de forma geral, precisa ler mais, estudar mais, se interessar mais, sentir mais coisas. A gente tá muito dormente, e a gente tem que passar a ignorar completamente a opinião masculina sobre música, sobre mulheres, sobre tudo. Eles estão ficando pra trás mesmo. E quando a gente aceitar isso, a gente vai conseguir dar o próximo passo.

Ao retrabalhar faixas do KM2 original, você sentiu que sua perspectiva como mulher e artista amadureceu a ponto de querer reescrever ou reinterpretar alguma letra específica? Como foi esse exercício?

Cara, com certeza. Até eu chegar no KM2 foram vários partos. Eu comecei a fazer rap com 17 anos, e eu fiz 25 agora. Foram muitos processos até chegar aqui. E eu tenho orgulho de dizer que eu amadureci junto com o meu rap.

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