De filha para mãe: ‘Sempre esteve à frente de seu tempo’, diz Graziela Medori sobre Claudya

Fabiano Alcântara
Por Fabiano Alcântara

Graziela Medori, filha da lendária cantora Claudya, lançou recentemente uma versão de Salve Rainha, composição de Claudya e Chico Medori, com produção de Thiago Duar e Fernando TRZ.

A releitura de filha para mãe, homenagem ao álbum clássico Pássaro Emigrante, lançado em 1979, tem sido executada em podcasts e rádios de todo o mundo. Quando saiu, um crítico detonou o disco exalando machismo. Claudya e Graziela estão rindo por último.

Filha da cantora do hit Deixa eu Dizer e do instrumentista Chico Medori, Graziela começou profissionalmente na música aos 16 anos, em shows e em programas de rádio e televisão.

O primeiro trabalho saiu em 2011. Quatro anos mais tarde, o segundo disco trouxe participação especial de Seu Jorge.

Esteve em projetos, como o Literalmente Loucas, homenagem a Marina Lima, 100 anos de Ataulfo Alves e É melhor ser alegre que ser Triste, um show dedicado a Vinícius de Moraes, ao lado de Jane Duboc e Juan Alba. 

Passou uma temporada com o pianista Mario Edson figurando no casting de cantores do bar Barreto, no Hotel Fasano. Graziela é vocalista da banda Os Brazucálias.

Leia nossa entrevista com a cantora, que nasceu no meio de um Carnaval na Avenida Paulista e nunca fez estudos formais. Ou seja, puro DNA, instinto e talento.

Por que quis gravar Salve Rainha?
Graziela Medori – Eu queria há um tempo lançar algo novo e sempre quando coloco em pauta para mim mesma o lançamento de alguma coisa, precisa ser de fato algo importante e que condiz com o momento que estou vivendo. Lancei duas músicas anteriores a Salve que eram músicas minhas ou em parceria com outros compositores e que definia o momento do qual eu estava vivendo. A abordagem com a Salve foi no mesmo pensamento ideológico.

Queria resgatar o disco, fazer uma homenagem aos meus pais com esse trabalho que é praticamente inédito, com canções autorais e totalmente atemporais, dando continuidade as aflições e questionamentos de um período vivido e que se repete após 40 anos. Essa frase define bem a decisão: “O nosso canto se perde no vazio…”. Às vezes, nós artistas nos sentimos assim, numa tentativa constante de se fazer valer nosso talento, queremos ser ouvidos por todos e nem todos têm essa oportunidade e dessa forma podemos fazer um contra ponto com as relações conflitantes entre pensamentos políticos, ideológicos onde queremos que nossos ideais sejam ouvidos. Salve é uma música pra mim feminina, um apelo a uma entidade que você pode escolher quem irá representa-la, é um nó na garganta e ao mesmo tempo a libertação de uma voz poderosa feminina.

Em que aspectos acha que sua mãe é mais vanguardista?
Graziela – Minha mãe é vanguardista na forma que vê a arte e na forma que a executa. Tenho aqui milhares de reportagens que ela juntou ao longo dos seus 54 anos de carreira e vejo que ela sempre esteve à frente de seu tempo, seja no visual, na montagem de um show, na escolha dos seus músicos e arranjadores. Ela tem ótimas ideias, não consegue executar tudo que gostaria, mas tem uma visão ampla sobre a arte, é conhecedora do seu meio e se auto desafia o tempo todo.

O que está rolando de mais interessante na música hoje na sua opinião?
Graziela – Tenho curtido demais a cena instrumental, uma cena extremamente desafiadora de ser alimentada pelo fato de não ter um front-man, eu ouço música instrumental em casa desde pequena, meu pai fundou o: Medusa com o Claudio Bertrami, eu ainda não era nascida, mas sempre foi um tipo de som bem familiar e ver esse cena borbulhar novamente com novos músicos, ideias interessantes de arranjos e composição, é um sinal de que estamos caminhando para um conhecimento profundo e que vai além da relação somente através do canto. Isso tem um significado de evolução musical e cultural, já que é pouco mostrado para o público.

Quais são suas maiores influências?
Graziela – Difícil dizer (risos). São muitas, Claudya, Medusa, Elis, Gil, Djavan, Marcos Valle, Filó Machado até Herbie Hancock, Ella Fitzgerald, Hiatus Kaiyote. Uma miscelânea de som, que me influenciam.

Quais são seus valores fundamentais?
Graziela – Valor pra mim é trabalhar com honestidade, é fazer as coisas com verdade, sem ferir as pessoas, sem puxar o tapete de ninguém, é construir seu caminho de forma limpa. É conquistar as coisas com suor, com dignidade.

Quais são suas próximas jogadas?
Graziela – Quero fazer um Clipe da Salve, lançar mais singles e vem ai uma homenagem ao disco Pássaro Emigrante em formação inédita , minimalista, com uma roupagem completamente nova desse trabalho, um desafio a ser trabalhado nos próximos meses.

O que tem te deixado animada?
Graziela – É estar livre pra poder criar, pra poder me desafiar e o mais importante concretizar o que vai na minha cabeça. Tenho me aliado a grandes talentos, que sou fã como o Fernando TRZ, Thiago Duar, minha banda Os Brazucálias, a músicos amigos, que estão na mesma sintonia, abraçando as ideias energeticamente falando e executando-as no mesmo nível. Isso tem me deixado extremamente animada, ativa e com vontade de produzir e executar cada vez mais.

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