Foto: Zarak Khan [via Unsplash]Contra compra de seguidores e fake streaming, SP cria Coalizão pela Integridade Digital
Edição: Flávio Lerner
Iniciativa do Ministério Público do Estado de São Paulo reúne associações de diversas áreas, incluindo a Pro-Música Brasil
O Ministério Público do Estado de São Paulo criou a Coalizão pela Integridade Digital para tentar botar um pouco de ordem no galinheiro online, mais precisamente focado na desinformação e na deformação quantitativa que as chamadas “fazendas virtuais” promovem em diferentes áreas.

Sabe aquela loja golpista que aparece, do nada, com milhares de seguidores? Pois é, isso pode ser comprado, como muita coisa nas redes sociais. Participam da coalizão associações de diversas áreas, como medicina, publicidade, educação, ONGs que protegem os direitos das crianças e, também, a Pro-Música Brasil, entidade privada que que representa as principais gravadoras do mercado fonográfico do país.
“As organizações signatárias desta Carta Aberta unem-se para estabelecer princípios comuns e promover ações colaborativas que fortaleçam a integridade digital, incentivem boas práticas e contribuam para o desenvolvimento sustentável da economia digital”, diz o Ministério Público em comunicado à imprensa.
“Entretanto, essa confiança vem sendo ameaçada por práticas que distorcem artificialmente a percepção da realidade. Perfis falsos, redes coordenadas de manipulação, compra de engajamento e o chamado fake streaming não representam apenas fraudes tecnológicas. São mecanismos capazes de enganar consumidores, prejudicar empresas que atuam de forma ética, comprometer a concorrência leal, enfraquecer a credibilidade das interações digitais e alimentar a circulação de publicidade enganosa e desinformação.”

No universo da música, o tal fake streaming é uma pedra no sapato. Artistas pagam para que golpistas, donos de milhares de aparelhos celulares conectados na internet, reproduzam sua música em plataformas como o Spotify, criando números falsos de sucesso. O mesmo vale para a compra de likes em seus perfis nas principais redes socais. O artista que está lutando para fazer boa música é jogado para o limbo dos algoritmos, enquanto quem tem dinheiro para pagar um serviço clandestino pode ser visto como um grande sucesso imediato.
Em outras áreas, o problema é ainda mais grave e pode até custar vidas. Pseudomédicos, por exemplo, podem comprar “autoridade” com milhares seguidores falsos e vender desinformação (como as curas mágicas para doenças complexas, como estamos cansados de ver), cursos e até mesmo promover golpes financeiros.
O problema é mundial e está sendo estudado por governos de diversos países, além de grandes organizações de direitos autorais, no caso da música, em que a Inteligência Artificial também é um alvo.

Se é assim, como uma coalizão estadual pode ajudar? Com ações efetivas, muito pouco, já que as legislações são federais (e em muito casos inacessíveis, já que os golpistas estão sediados em outros países). Com ideias e propostas, no entanto, muito. Estudar o impacto em parcerias com classes diretamente afetadas pelo problema pode abrir novos caminhos e discussões.



