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Conhecida como a rainha da rádio independente, Patrícia Palumbo conversa com Jo Mistinguett no podcast Diálogos Profanos e fala de rádio, streaming e da coletânea que reúne grandes nomes da música em homenagem a Tom Zé

Patricia Palumbo

Patricia Palumbo - foto: reprodução Youtube

A entrevistada desta semana no podcast Diálogos Profanos é Patrícia Palumbo, conhecida como a rainha da rádio – independente, como ela gosta de salientar entre risos. Pesquisadora musical, jornalista, apresentadora, curadora, historiadora, ecoativista, velejadora, budista, mãe, estudante de marcenaria, entre outras atividades, sua voz é conhecida nas ondas da FM há 30 anos.

Patrícia Palumbo criou os programas de cidadania Bike Repórter, Baleia Azul e Hora do Rush, que deu a ela o primeiro dos três prêmios APC que ela tem em casa e na TV, o Instrumental Sesc Brasil, que apresenta há 20 anos. Atualmente comanda seu podcast Peixe Voador. É idealizadora da marca Vozes do Brasil, que iniciou-se com o programa na Eldorado, retransmitido para outras emissoras em todo o país, e que reverberou na Rádio Vozes online e aplicativo de celular, nos três volumes do livro com mesmo nome e na novidade, no selo fonográfico, que estreia hoje com lançamento em grande estilo. Ouça o episódio aqui.

Na entrevista, Patrícia fala da sua carreira e sobre rádio e música, duas de suas paixões. Conversamos sobre a precarização que a profissão de radialista vem sofrendo.

“A profissão mudou muito e as mudanças são muito rápidas, quando eu comecei a gente editava em fita de rolo, com gilete e durex. Hoje em dia você faz rádio de casa. Quando eu comecei, tinha o produtor, o editor, o técnico de som, o discotecário, eu não entrava no ar sozinha. Hoje nós estamos aqui, eu da minha casa e você da sua”, pontua, “as redes sociais, as plataformas de streaming estão funcionando de uma maneira que a gente trabalha de graça para eles, enquanto eles estão ganhando um monte, a gente fica buscando seguidores, aumentando o poder deles em troca de 0,0000%… a gente tem que repensar essa relação que tem com as redes sociais, que é muito displicente, a gente só entrega. Claro, tem essa possibilidade que é incrível, de estar em todas as plataformas. É por isso que o Vozes do Brasil é o podcast de música brasileira mais ouvido em Portugal, o que é muito bacana. Mas no concreto essa visibilidade retorna muito pouco em termos da nossa sobrevivência, não me paga a vida”.

Embora as plataformas digitais estejam a toda, as mídias tradicionais continuam triunfantes em muitos lares, segundo o estudo Inside Radio, 78% dos brasileiros têm acesso a rádio. “O grande problema nessa história é que a rádio feita popularmente, que está na casa de todas as pessoas, não preza pela prática ética, cultural, civilizada. A grande parte das emissoras pertence a grupos religiosos e políticos, que estão atrás de poder. É um grande imbróglio neste país, muito diferente do que acontece na Europa e nos Estados Unidos, que são sem dúvida mais democráticas. Trabalhei um tempo em Marselha, onde fui para o ano do Brasil na França. Trabalhei na Rádio Grenouille, que foi fundada por um cara que pulava de um vilarejo a outro com o transmissor nas costas fugindo da polícia, até que a França liberou as rádios comunitárias, chamando de associativas. Lá você cria uma associação e recebe uma concessão. Transmite da comunidade para a comunidade. São públicas e independentes ao mesmo tempo e que têm muita força, diferente das nossas rádios aqui. Por exemplo, o energúmeno que está no poder quer privatizar a EBC, a Empresa Brasil de Comunicação, o que é um crime, para dizer o minimo”. Isso representa mais uma tentativa do atual governo federal de destruir mais um pilar da Constituição Brasileira, que prevê a existência dos sistemas público, privado e estatal de comunicação, que com “autonomia presta serviço de rádio e TV com o objetivo de promover a cidadania temas das áreas de educação, arte, cultura, ciência e tecnologia e visa estimular a produção de conteúdos regionais, nacionais e independentes”, como descreve a EBC em seu site. “Eu poderia falar por horas das mazelas e prazeres de se fazer rádio”, ela conta.

 

 

Dentre os prazeres, está ter entrevistado e conhecido uma infinidade de artistas de vários gêneros e origens. O reconhecimento pelo trabalho que a classe musical tem pelo seu trabalho de Patrícia é enorme a ponto de suas curadorias serem disputadíssimas. E um convite dela, irrecusável. Prova disso é o primeiro lançamento do seu selo, repleto de grandes nomes.

Hoje, 11 de outubro, ela lança Uma Onda Para Tom Zé, uma homenagem a Tom Zé, que neste dia completa 85 anos. “Se o caso é chorar” é o primeiro sin gle, um duo do casal Fernanda Takai e John Ulhoa, ex Pato Fu. As próximas estreias são de Arnaldo Antunes e Curumim, André Abujamra e Leoni, a banda Vanguart, Luana Carvalho com Pedro Sá e Domenico Lancellotti, Duda Brack, Zé Manoel, Arthur Nogueira, Júlia Vargas, Martins e Juliano Holanda. Um trabalho impecável, como é a marca de Patricia Palumbo, rainha e trabalhadora da rádio e da música. Acompanhe o trabalho dela por aqui.

Nas próximas semanas, o Diálogos Profanos entrevista Cris Braun, Juçara Marçal e Bárbara Eugênia. 

* Diálogos Profanos é um podcast hospedado no Spotify, apresentado pela produtora musical Jo Mistinguett e produzido pela jornalista Carola González. Semanalmente um nome da cena musical brasileira é entrevistado, já passaram Luana Hansen, Eli Iwasa, Assucena Assucena, DJ Joseph Rodriguez, entre outros.

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