Foto: DivulgaçãoConheça o dance-punk imprevisível do Baby Berserk
Edição: Flávio Lerner
Trio holandês mistura synth-pop, punk-rock, moda, arte e uma certa dose de caos para se destacar na cena indie
Existe uma diferença enorme entre apenas colocar uma música para tocar e estar realmente presente quando a performance acontece. O Baby Berserk habita exatamente esse espaço. Em uma era dominada por apresentações milimetricamente controladas e pré-gravadas, a banda de Amsterdã constrói sua identidade na premissa que o palco precisa continuar sendo um lugar onde o imprevisto e o perigo podem acontecer.
“Queremos que nossos shows pareçam realmente ao vivo, onde qualquer coisa pode acontecer naquele momento”, explicam ao Music Non Stop.
Ao recusar facilidades e tocar absolutamente tudo, o trio formado em 2020 por Mano Hollestelle, Eva Wijnbergen e Lieselot Elzinga ganha a liberdade de reagir ao público, ao espaço e à energia de cada noite. Para eles, nenhum show deveria ser igual ao outro.
Essa busca por espontaneidade transborda a própria música. Inspirados pela atmosfera da Factory de Andy Warhol e pela cultura em torno do lendário clube Haçienda de Tony Wilson, não buscam criar uma colagem superficial de referências, mas sim um universo autoral, que mescla synth-pop, punk-rock, moda, arte e uma certa dose de caos.

“Gostamos que as coisas entrem em conflito: música, moda, arte, pessoas, e que de alguma forma, tudo faça sentido junto”, definem.
A cidade de Amsterdã é parte fundamental dessa narrativa. Mesmo enfrentando as pressões do turismo em massa e da gentrificação, o Baby Berserk encontra na cena local uma herança cultural crua, aberta e longe de ser excessivamente clean. Essa atitude fica evidente na forma como interagem com a cena independente contemporânea, dividindo palco em apresentações marcantes ao lado do hypado duo canadense Angine de Poitrine — uma parceria que reforça a preferência do grupo por postura, energia e experimentação no lugar do que é seguro e engessado.
Toda essa filosofia ganha contornos ainda mais atuais em faixas como Mind Explodes, que aborda a exaustão provocada pelo excesso de telas e estímulos digitais. A resposta para essa sobrecarga é direta: a pista de dança!
“Ser capaz de esquecer tudo por um momento, se perder na música e se mexer perto de outras pessoas é uma das coisas mais expressivas que você pode fazer. Você não pensa, simplesmente se move”, afirmam.
Em um mercado dominado por algoritmos que tentam prever o gosto do ouvinte, o Baby Berserk faz o caminho oposto e devolve a experiência coletiva ao centro da música. A proposta não é entregar um produto pronto, mas convidar o público a sair da tela, voltar para o corpo e fazer parte do caos. E talvez seja exatamente disso que estamos precisando!



