Conheça Monique Dardenne, a mina que trouxe o Boiler Room pro Brasil

Claudia Assef
Por Claudia Assef
Se você curte música eletrônica, já deve ter assistido ou pelo menos ouvido falar do Boiler Room. Trata-se, simplesmente, de uma série de vídeos em streaming com os DJs mais foda, tocando ao vivo, de algum lugar do planeta, com pessoas curtindo (dançando, bebendo, fervendo) em volta.

 

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Criado pelo inglês Blaise Bellville, o Boiler Room começou a transmitir sets de Londres, em março de 2010. Em pouco tempo, muito por conta da relevância dos DJs que conseguia escalar, virou febre e se espalhou por várias cidades do munod. Em dezembro do ano passado, estreou no Brasil, com live de Gui Boratto e sets dos DJs Ney Faustini, Nomumbah (Ale Reis, Andre Torquato e Rafa Moraes) e Zegon.

 

Em 2014, o Boiler Room no país ganhou assinatura Skol Beats e fez quatro transmissões bafônicas: a primeira com DJ Marky, direto de sua casa; a segunda, no Rio, no Morro do Vidigal, com os DJs Léo Janeiro, Nepal, Flow & Zeo, Rodrigo S & Wladimir Gasper e Maurício Lopes; depois, com os DJs do coletivo Metanol FM, transmitido da Skol Factory, e a quarta com os pioneiros Magal e Mau Mau, o francês Agoria e o live VCO Rox (Dudu Marote e Paula Chalup). Até agora foram mais de 10 eventos realizados em várias cidades brasileiras, além de um documentário sobre funk carioca que está a caminho e um especial com o mestre Marcos Valle.
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Léo Janeiro tocando no Boiler Room que rolou no Morro do Vidigal, abrindo os trabalhos da RMC 2014

Monique para pra uma pose no Boiler Room na casa do DJ Marky

Monique para pra uma pose no Boiler Room na casa do DJ Marky

Tudo isso não estaria acontecendo não fosse a menina gente-que-faz Monique Dardenne. Foi ela quem trouxe o Boiler Room para o Brasil, em 2013. Festeira, Monique sempre foi atrás de projetos que unissem sua paixão, a música eletrônica, com trabalho.

Formada em direito, essa gatona de 32 anos que sonhava em ser delegada já trouxe pro Brasil Snoop Dog e Pitbull e começou a carreira gerenciando a carreira do DJ e produtor Fabiano Zorzan aka Propulse. Depois virou gerente comercial

e artístico da agência Carambola (criadora do festival Tribe), onde trabalhou na produção de um dos últimos shows da banda LCD Soundsystem e um dos primeiros da banda Turbo Geist, de um dos filhos de Mick Jagger.

Monique, então, criou sua própria agência, a MD/Agency, que, entre outras coisas, já fez festas com DJs do Underground Resistance e cuida da carreira do produtor Wehbba, novo furacão da eletrônica nacional.

Nada mais justo do que o Music Non Stop bater um papo com a fofa. Vamos a ele.

Music Non Stop – Quando e como você começou a trabalhar com música?

Monique Dardenne – Engraçado, não havia me ligado, mas no começo deste ano faz 10 anos exatamente. Comecei fazendo os bookings e management “intuitivamente e instintivamente” (acho que define bem o meu trabalho aos 20 anos de idade sem um pingo de experiência) com o projeto Propulse de Fabiano Zorzan em meados de 2004, enquanto fazia faculdade de direito, na qual também me formei. Mas tive uma influência muito forte de música eletrônica que, acredito, carrego no DNA.

Music Non Stop – Como rolou de montar a sua agência?
Monique Dardenne – Fui convidada para trabalhar na antiga agência Carambola (Tribe), onde comecei como booker e cuidando do marketing e fiquei quatro anos por lá, num trabalho maravilhoso no qual me encontrei como profissional e me apaixonei pela profissão – nem corri mais atrás do sonho de ser Delegada Federal. Saí de lá como gerente comercial e tive a primeira experiência montando uma agência cujos projetos de maior relevância foram tours com Snoop Dogg e Pitbull, assim como a criação do “Onda Azul” para a Azul Linhas Aéreas que rodou muitas cidades do país. Depois disso, veio a atual MD/Agency com maior abrangência além da administração de tours internacionais e bookings. Comecei a fazer curadoria de projetos especiais, focando em management de artistas e booking somente de artistas internacionais.
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Music Non Stop – E como foi o lance de trazer o Boiler Room pro Brasil?

Monique Dardenne – Na verdade foi um convite do Boiler Room no final de 2013. Eles estão se expandindo para a América Latina e estavam procurando pessoas que administrassem o projeto em todos os países, conheciam o meu trabalho e pintou o convite.

Music Non Stop – Como você vê a música eletrônica atualmente no Brasil?

Monique Dardenne – É inegável a proporção que a EDM tomou no país com seus big eventos e DJs de cachês astronômicos. Por outro lado o undeground eu sinto que está começando a sofrer uma mudança na valorização e do que é ser realmente um DJ, um produtor de verdade e a volta da importância do vinil.
Acredito também que este ano alguns produtores de eventos e grandes investidores estejam mais voltados e de olho ao produto nacional, como por exemplo festas grandes com line-ups somente de brasileiros, grandes marcas investindo no desenvolvimento e acreditando mais na carreira de artistas nacionais.

Music Non Stop – Que recado você daria pra um DJ que está no começo de carreira?

Monique Dardenne – Estudem muito, pesquisem muito, achem suas verdadeiras influências e se possível as influências de suas influências. Tenha um bom material promocional sempre atualizado. E, o mais importante, façam com amor e por amor a música e lembrem-se sobre aquele clichê de escolher o caminho fácil.

Todo DJ Já Sambou – Que música (uma só, desculpa) define bem você?

 Monique Dardenne – Escolher uma é difícil! A primeira que pensei foi o Canto de Ossanha de Vinícius de Moraes,  mas uma pequena parte que diz muito sobre princípios, caráter, demagogia, avareza. Luto todos os dias para me manter firme e tenho na memória como se fosse um hino. E diz assim :
O homem que diz “dou”
Não dá!
Porque quem dá mesmo
Não diz!
O homem que diz “vou”
Não vai!
Porque quando foi
Já não quis!
O homem que diz “sou”
Não é!
Porque quem é mesmo “é”
Não sou!
O homem que diz “tou”
Não tá
Porque ninguém tá
Quando quer
Coitado do homem que cai
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