Kavinsky Foto: Reprodução

Como Kavinsky transformou nostalgia, velocidade e cinema em um dos sons mais marcantes do século

Music Non Stop
Por Music Non Stop

Responsável pelo hit Nightcall, DJ e produtor francês faleceu no dia 28 de julho, por razões ainda desconhecidas

Texto por Rodrigo Guarizo

Edição por Flávio Lerner

Na reta final dos anos 2000, espalhando os esporos do álbum Human After All (Daft Punk), do fenômeno Justice e dos catálogos das gravadoras Ed Banger, Kitsuné e DFA, toda uma geração de DJs pesava a mão em sets altamente energéticos. A regra era ser ruidoso e explosivo, e os CDs queimados naquela época certamente contavam com faixas do produtor francês Kavinsky, que teve sua passagem pela Terra abreviada ontem, 28 de julho, aos 50 anos, por razões ainda desconhecidas (a suspeita principal é de infarto).

Nascido Vincent Belorgey, em Paris, ele fez parte das cenas french touch e electro da cidade, mas, pouco a pouco, foi construindo uma identidade própria, atualizando a synthwave e incorporando uma atmosfera nostálgica e cinematográfica às suas tracks, fazendo com que pistas de dança de todo o mundo se transformassem em uma fase do game Top Gear até a próxima virada. Uma conexão direta com quem cresceu entre Blade Runner e o Mega Drive.

Ao fazer música eletrônica, Kavinsky fez a trilha sonora de inúmeras vidas. Faixas como Testarossa Autodrive e 1986 são alguns exemplos mais ligados aos clubbers, mas a principal delas é Nightcall, que rompeu barreiras. Lançada em 2010 com os vocais da brasileira Lovefoxxx, a música ganhou status de hino ao integrar a trilha sonora do aclamado longa Drive (2011), de Nicolas Winding Refn, estrelado por Ryan Gosling.

Quando interpretada no encerramento dos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024, por Kavinsky ao lado do grupo Phoenix e da cantora belga Angèle, a canção quebrou dois recordes no aplicativo Shazam: o de maior volume de buscas em um único minuto na história do app e o de música mais pesquisada em um único dia, segundo a Apple.

Com uma sonoridade que ajudou a transformar o pop neste início de século, Nightcall abriu caminhos para artistas como M83 e The Weeknd e, mais recentemente, foi interpolada no especial MAYHEM: Requiem, em que Lady Gaga a utilizou como base de inspiração para a versão apresentada de Die With a Smile. 

Vincent se despede deste mundo sabendo que transformou a música por meio de Kavinsky, seu alter ego: um jovem produtor musical que sofreu um acidente fatal em 1986 ao volante de uma Ferrari Testarossa, e ao invés de morrer definitivamente, retornou como um morto-vivo com uma força sobrenatural, conectado às máquinas e aos sintetizadores.

E agora, ao lado de DJ Mehdi e Philippe Zdar, ele pode repose en paix.

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