Hear Me Now Zeeba, Alok e Bruno Martini. Foto: Reprodução

Como ‘Hear Me Now’ impactou Alok, Bruno Martini e Zeeba há 10 anos

Jota Wagner
Por Jota Wagner

Edição: Flávio Lerner


Hit é a primeira faixa 100% brasileira a chegar a um bilhão de plays no Spotify

Dia 21 de outubro, a música Hear Me Now, primeiro hit massivo de Alok ao lado dos amigos Bruno Martini e Zeeba, completará dez anos. O presente veio antecipado. O Spotify acabou de incluir a faixa no clube do bilhão de plays, tornando-a a primeira música feita exclusivamente por brasileiros a atingir a marca.

Hear Me Now mostrou a Alok que ele podia sim beliscar o mundo da música pop, coisa que tentou fazer novamente em diversos outros momentos de sua carreira. A faixa original nem era mesmo eletrônica. Foi criada como um melancólico hitzinho indie por Zeeba, compartilhado então com Martini.

Quando o superastro entrou no jogo, adicionou uma batida eletrônica e o assobiozinho, marca registrada da canção. A história foi tão interessante para os fãs que a gravadora Spinnin’ Records decidiu lançar uma versão próxima à original, só com violões e a voz de Zeeba, como versão alternativa.

Focando sua carreira na meta de ser o rei da EDM, Alok ficou inseguro. Gostou do resultado, mas não se atrevia a colocá-la em seus sets, logo nas primeiras semanas lançamento. A achava “comercial demais”. A insegurança ainda foi potencializada pela rejeição das gravadoras brasileiras a quem mostrou a música.

Alok
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Mas esse bolo não tem receita: o público tocou o foda-se e escutou mesmo assim, fazendo com que a faixa, em 2017, ficasse entre as mais tocadas no Spotify em 45 países diferentes, com destaque para o tremendo sucesso que fez na China. O que o ícone brasileiro queria para sua carreira não importava. Hear Me Now já havia tomado as rédeas.

O hit bilionário foi responsável por transformações na vida dos três cúmplices: para Alok, abriu a fase pop e ajudou a transformar um DJ nacional em um artista de alcance mundial. Para Bruno Martini, consolidou a passagem de produtor e músico de bastidores para nome reconhecido internacionalmente.

E para Zeeba, converteu uma composição de origem indie em um cartão de visitas global — ele mesmo disse, em declaração reproduzida pela Billboard Brasil, que a faixa surgiu em um momento no qual pensava em desistir de ser cantor.

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Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.