Com ‘Antropocósmico’, Pipo Pegoraro cura, liberta e transforma

Fabiano Alcântara
Por Fabiano Alcântara

Produtor e multi-instrumentista, Pipo Pegoraro vem imprimindo sua sensibilidade única em contribuições com a imensa Xênia França e tem uma carreira solo construída em torno do universo da canção. Em fase de maturidade, ele busca e já se consolida em uma reinvenção instrumental.

Nesta sexta (10), ele lança o álbum Antropocósmico. Uma viagem iniciada após o mergulho no universo dos sintetizadores e que vai muito além da música.

“O conceito sonoro desse álbum é buscar sons e frequências que respeitam aflorar as possibilidades harmônicas em âmbito universal nas relações entre os seres – humanos, animais não humanos, outros seres não terrestres, éter e meio ambiente – sendo inspirado em valores ético cósmico e para isso o uso de sintetizadores é essencial para ‘entendimento” da linguagem proposta”, afirma o músico e compositor. 

“O foco condutor do disco é trazer ideias harmônicas/melódicas que se apresentaram nas “sessions” de criação diárias (desde março de 2019) e mesclar com outros instrumentistas”, completa.

O nome do álbum foi inspirado num livro titulado Ética da Solidariedade Antropocósmica de autoria de Olinto Pegoraro, seu tio, professor de filosofia, que faleceu em janeiro de 2019 e que sempre alimentou a “anima” (na teoria de C. G. Jung (1875-1961), o componente feminino da personalidade de todos os seres humanos) de família em debates ricos de questões filosóficas/éticas/mitológicas e me fagulhou as idéias que nosso pensamento não está restrito aos limites de nosso planeta.

Pipo Pegoraro em foto de Laura Wrona, mesma autora da foto no alto da página

“É um disco que flerta com a linguagem eletrônica na maneira de se ‘vestir’, porém, sua construção é analógica e principalmente tocada. Utilizando muitos sintetizadores, busco usar esse universo de possibilidades que se apresentam a cada aperto de botão ou giro de knob para explorar idéias. Através dessas variáveis, procuro formatar músicas que despertem ao ouvinte uma escuta que se renova constantemente, tenha um acabamento lo-fi e quiçá seja dançante”, contextualiza. 

Pipo solo, mas nunca só

As músicas são originais, escritas, produzidas, gravadas e mixadas por Pipo Pegoraro no estúdio Casoraro (São Paulo). O disco foi masterizado por Phil Moffa no Butcha Sounds Studio (NY) Gravações adicionais realizadas por Luis Alcaide no Industrial estúdio (Campinas)

Vibrafone por Beto Montag Bateria por Daniel Pinheiro Percussões por Ricardo Braga Trombone por Vitor Fão.  A direção de Arte é de Oga Mendonça e a assessoria de Mercedes Tristão

Consultorias musicais, conselhos e ouvidos: Sergio Sampaio, Lourenço Rebetez, Pablo Casella e Maurício Fleury.

Mesmo em sua persona “cantor/compositor”, Pipo sempre optou pelo mistério, nunca foi adepto de soluções fáceis e caminhos óbvios, na poesia e na música. Agora, ele se encontra, e se junta a um vibrante movimento da nova música instrumental brasileira.

Desvendar o aspecto cósmico da existência é mais que o propósito de um disco ou da música, mas da vida (talvez de vidas). Ao se entregar a esta tarefa, Pipo deixa uma contribuição para todos os homens e mulheres, do presente e do futuro. Com Antropocósmico, ele deixa sua marca na Pedra de Roseta contemporânea. Cada um de nós podemos traduzi-la e celebrar a vida da melhor maneira. Com música que cura, liberta e transforma.

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