Aline Rocha Foto: Reprodução/Instagram

Aline Rocha e a missão de levar house a novos ouvidos

Vitória Zane
Por Vitória Zane

Edição: Flávio Lerner


DJ e produtora brasileira radicada em Londres fala sobre o privilégio e a oportunidade de tocar em mais um Rock in Rio

O que acontece em uma boa pista de dança é quase um ritual coletivo de presença — e de cura, muitas vezes. Para quem está no palco, o set deixa de ser uma mixagem de faixas e passa a ser uma ponte capaz de transportar pessoas para longe. É a partir dessa visão quase espiritual da house music que a DJ e produtora Aline Rocha se prepara para sua próxima performance: comandar o palco New Dance Order, do Rock in Rio, no dia 07 de setembro.

“A capacidade que a música tem de te tirar de um lugar e te levar para outro, de te transportar para um lugar, na sua cabeça, no seu corpo mesmo, é impressionante. Acho que a pista de dança é sobre isso, é sobre você deixar o problema, deixar tudo que está acontecendo na sua vida lá fora e se perder naquele momento. Então, é dançando que a gente bota para fora essa energia, movimentando o corpo. Acho que é uma coisa até meio espiritual”, revela ao Music Non Stop.

Óbvio que se apresentar em grandes festivais é um passo importante da carreira, e disso Aline Rocha entende de sobra: edições da Defected pelo mundo, presença na Glitterbox em Ibiza e performances no Tomorrowland Brasil (no Mainstage) e no Tomorrowland Bélgica (no icônico palco indoor Freedom), além do Lollapalooza Brasil. Mas para ela, o segredo não está na busca por validação técnica, mas na capacidade de criar uma atmosfera na qual a plateia possa se perder para se reencontrar.

“Fazer os meus sets em grandes festivais é sempre trazer essa identidade do house com uma referência ali do disco, que eu amo muito também. É sobre você estar entregue àquele momento e se deixar envolver pela música e dançar. No Tomorrowland, por exemplo, eu quis transformar o palco Freedom num grande clube, porque eu queria que as pessoas dançassem. Eu não estava ali tentando provar nada para alguém. Eu estava realmente querendo despertar uma emoção”, continua.

A sintonia que se cria entre quem toca e quem dança é realmente o diferencial num grande evento, quase criando um portal de realidade paralela. Em um festival multigênero como o Rock in Rio, onde públicos de diferentes gerações circulam pelos mesmos caminhos, Aline enxerga seu set como uma oportunidade de educação e afeto. Tocar em um line-up de diversidade sonora não é um obstáculo, mas a chance perfeita de apresentar a essência da música eletrônica a novos ouvidos.

“Essa é a minha missão. Todos os sets que eu faço em festivais, entendendo que é um público misto, eu trago novidades. Quero colocar músicas novas, mas também fazer as pessoas se conectarem. Eu acredito muito nisso, que você consegue atrair um público novo, que não é o fã número um de música eletrônica, mas que ele vai ver você e vai falar: ‘olha, eu achava que eu nem gostava de música eletrônica, mas dessa aqui é legal’. Esse é meu propósito dentro de line-ups desafiadores”, reflete.

Sua participação nesta edição do RiR traz ainda um sabor de celebração dupla, coincidindo com o aniversário da artista — que rola numa data próxima: 15 de setembro — e o reencontro com o público brasileiro, pois a DJ e produtora mora em Londres.

Com 20 anos de carreira, Aline Rocha é um dos maiores destaques da house music nacional. Começou nos palcos brasileiros, mas foi lá fora que acabou ganhando ainda mais destaque. Infelizmente, ela precisou ganhar a validação europeia para passar a ser enxergada no país natal.

“Toquei quatro anos atrás no Rock in Rio, foi a primeira vez. Já foi incrível, eu amei. Estou muito ansiosa pela data em si, no Brasil. É um momento muito importante de celebração, de encontros. Tô indo pra me divertir também. E o que vier pra mim já é lucro; estar lá já é uma celebração, já é uma forma de reconhecimento”, conclui ela, que também diz estar animada por dividir o line-up com Elton John, de quem é muito fã.

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Vitória Zane

Jornalista curiosa que ama escrever, conhecer histórias, descobrir festivais e ouvir música.