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The Handmaid’s Tale. As novidades e expectativas da quarta temporada da série, que acabou de estrear na Paramount +

Por Bia Amaral

The Handmaid´s Tale já é uma das séries distópicas mais importantes de todos os tempos. Saiba o que esperar da nova temporada, que estreou dia 02 de maio na Paramount +

A estreia da quarta temporada de The Handmaid’s Tale, série da Hulu, que aconteceria em 2020 foi adiada devido à paralisação das gravações por conta da pandemia do covid-19. A partir de ontem, dia 2 de maio, é possível assistir à nova temporada na plataforma Paramount +. Com seasons finales por regra surpreendentes, que deixam muitos ganchos, o que o público pode esperar para o desenrolar da história de June Osborne na terrível Gilead?

O fim da terceira temporada de The Handmaid’s Tale mostra o plano, em partes bem sucedido, de retirar dezenas de pessoas de Gilead. A parceria entre June e Joseph Lawrence pela liberdade das crianças – o bem mais precioso desta sociedade teocrática – deve trazer consequências graves para ambos. Além da tensão pelo futuro do Comandante e da Aia, que estarão na mira do governo gileadeano, o que vai acontecer com eles logo de cara vai influenciar o destino dos próximos 10 episódios.

 

Uma crise diplomática é certeira

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foto: reprodução internet

A crise diplomática entre Gilead e Canadá depois de um golpe tão duro deve pairar por toda a quarta temporada. É bom lembrar que até os fatos mais absurdos de The Handmaid’s Tale são ancorados na realidade. Gilead herdou o poder bélico dos Estados Unidos da América, o que causa preocupação no Canadá de um possível conflito armado.

A travessia da bebê Nichole junto a Emily para o Canadá foi um fato que gerou transtorno entre os países durante toda a temporada três. Este caso se tornou fichinha perto do avião com 86 crianças que voou de um país para o outro.

A adaptação das crianças que foram separadas de suas famílias há anos, muitas agora órfãs, também é um tema a ser abordado na quarta temporada. A luta de Emily para se adaptar a uma nova vida, se reencontrar com a família, foi arrebatadora na temporada anterior. Para as crianças não será uma tarefa simples.

A resistência

Estamos vivendo um momento duro na vida real, um verdadeiro cenário distópico acontece no Brasil. Eu me pergunto qual será a nossa reação ao assistir agora uma história que representa tanto sofrimento como The Handmaid’s Tale. Acredito que algumas pessoas possam, sim, dar uma pausa na série por este motivo. Nós, que continuamos acompanhando a série, buscamos momentos de esperança, lampejos de revolução.

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Filmagens da terceira temporada – foto; reprodução flickr – Vitória Pickering

Espero que a sensibilidade da produção traga um pouco de alívio para os espectadores. Nesse sentido, podemos esperar mais da rede de resistência das Marthas. Desde a segunda temporada observamos o papel fundamental dessas mulheres, que têm acesso a locais estratégicos como as casas de comandantes, em ações revolucionárias dentro de Gilead. As Aias também já se mostraram grandes lutadoras e podem ganhar papel essencial pela luta por liberdade em Gilead, apesar da condição adversa em que vivem nas casas.

 

Novos personagens e novas visões

Como de costume, uma nova temporada significa a introdução de novos personagens. A atriz de 14 anos Mckenna Grace foi anunciada no papel da Sra. Keyes, uma Esposa super jovem casada com um Comandante muito mais velho, história que deve revelar mais uma face cruel da teocracia de Gilead.

Outra novidade da terceira temporada é que, pela primeira vez, Elisabeth Moss dirigiu episódios de The Handmaid’s Tale. No comando do terceiro episódio, The Crossing, do oitavo, Testimony, e do nono, Progress, Moss terá a oportunidade de mostrar a sua visão criativa da história que protagoniza desde 2017 (tem um post no Instagram da Moss que mostra ela dirigindo, https://www.instagram.com/p/CNWZmbhnWGl).

Assim como as Colônias nos foram apresentadas na segunda temporada e a realidade bem diferente da capital Washington introduzida na terceira, ambas com seus terrores, a quarta temporada é o momento ideal para mostrar as ocupações rebeldes e áreas em conflito no antigo território dos Estados Unidos da América. Nick Blaine, que desde o sexto episódio da terceira temporada desapareceu do mapa, na verdade foi enviado a Chicago para se posicionar contra a Resistência. Além da possibilidade de cenários de guerra, ao que tudo indica teremos uma presença maior de Blaine, que se tornou um Comandante.

 

Velhos amigos

O destino do casal-criminoso-de-guerra Waterford também é uma das grandes expectativas para a quarta temporada. Serena Joy e Fred Waterford enfrentam acusações gravíssimas no Canadá e, além disso, no fim da temporada passada trocaram denúncias. Seria ótimo poder assistir a um julgamento dos crimes dessa dupla, mas ainda há muitas reviravoltas que um casal tão poderoso pode provocar.

As filhas de June, Nichole e Hannah, são personagens que também merecem atenção na quarta temporada. Ainda é um desejo de Serena recuperar Nichole, o que pode causar problemas para Luke e Moira. No fim da segunda temporada, June decide ficar em Gilead para resgatar Hannah, mas no decorrer da terceira ela não encontra sucesso. Será interessante saber se, mesmo como inimiga número um de Gilead, June vai manter seus planos de resgate da filha.

Quem já teve oportunidade de ler o livro Os Testamentos, a esperada sequência de O Conto da Aia, lançada em 2019, tem algumas peças a mais para começar a especular sobre o destino destas personagens. 

A sequência

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Uma das capas do livro que inspirou a série

Como uma adaptação, que já extrapolou muito os limites do livro de Margaret Atwood de 1985, The Handmaid’s Tale não tem a obrigação de seguir exatamente a narrativa da autora. A história de Os Testamentos se passa alguns anos depois do que acontece agora na série criada por Bruce Miller, há muita liberdade para surpreender quem já leu o livro.

A Hulu e a MGM adquiriram os direitos para adaptar o novo livro de Atwood. Em coletiva de imprensa em 2020, o produtor de The Handmaid’s Tale, Warren Littlefield, reforçou que os fatos da sequência se passam 15 anos após o primeiro livro, então está nos planos que a história de Handmaid’s faça uma transição para Os Testamentos (post sobre a adaptação de Testamentos: https://www.slashfilm.com/the-testaments-series/).

É claro que nós, os fãs, lemos os livros, assistimos a cada trailer e criamos teorias sobre o que irá acontecer, mas a expectativa é que a série faça o que faz de melhor: nos surpreenda!

Antes mesmo da estreia da quarta temporada, The Handmaid ‘s Tale já havia sido renovada pela Hulu para uma quinta temporada: para a alegria de alguns fãs que poderão sofrer e se regozijar com as aventuras de June e desespero de outros que têm medo de uma queda na qualidade.

 

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Bia Amaral

Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto, trabalho como produtora audiovisual na Rede Minas. Apaixonada por histórias, no canal MIXIDO, faço críticas e análises de filmes e séries de TV e streaming. Estudo sobre cinema feminista e faço listas no Letterboxd.

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