Brasil música Alok no Tomorrowland Winter 2026. Foto: Reprodução/Instagram

A nova invasão brasileira: país consome e exporta música como nunca

Jota Wagner
Por Jota Wagner

Edição: Flávio Lerner


Relatórios mostram que Brasil se consolidou como 8º maior mercado musical do mundo e o 9º que mais exporta música

Relatórios publicados recentemente por grandes empresas estatísticas do mercado musical, como as gringas Luminate e IFPI (a Federação Internacional da Indústria Fonográfica), passando a régua em 2025, confirmam: o Brasil anda crescendo sem parar. Até o fechamento do ano passado, o país alcançou a posição de oitavo lugar no planeta em faturamento em streaming, shows e licenciamento, além de ser o nono que mais exporta música para fora.

Segundo a IFPI, geramos quase quatro bilhões de doletas em renda musical, puxados pelos serviços de streaming. Negócio de gente grande: para se ter uma ideia, Estados Unidos, México, Brasil e Alemanha são responsáveis, juntos, por metade dos plays nas plataformas de streaming.

Somos um dos gigantes do setor e, graças ao tamanho continental do país e um gigantesco pasto aberto para o crescimento (já que muita gente aqui ainda não aderiu totalmente aos serviços de streaming, principalmente na faixa de assinaturas pagas), tudo indica que nos próximos anos nossa posição só tende a subir.

Falando do consumo interno, os relatórios trazem algumas informações pra lá de interessantes, que desmitificam a histórica expressão “síndrome de vira-lata”. A gente gosta de música brasileira, cantada em português. O Brasil é o país que mais consome musica local em toda a América Latina, com cerca de 75% dos streamings vindos de artistas da casa.

Outro dado que chama bastante atenção é a moda do “ao vivo”, muito comum em lançamentos dos gêneros sertanejo e pagode. Aqui, metade dos grandes sucessos são gravações feitas no meio do povo, com os artistas tocando no palco.

Brasil exportação

Uma consolidação bem interessante, provada por números, é que o mundo está “engolindo” a música brasileira, do jeitinho que ela é feita aqui, para o mercado local. No exemplo clássico da bossa nova, a música precisou ser apropriada por grandes nomes do jazz para ser aceita mundialmente. No caso do metal de Sepultura, nos anos 90, chegamos ao topo do mundo fazendo o contrário, se apropriando (muito bem) de um gênero musical gringo.

O que acontece agora é que, graças à potência do “Brazilian funk”, puxado por estrelas internacionais como Anitta e Ludmilla, jovens de todo o mundo estão buscando o que é ouvido em nossos bailes para tocar em seus radinhos. Mas a coisa não para nesses dois fenômenos. Um dos maiores exportadores de música brasileira são os sertanejos Henrique & Juliano. Os relatórios também apontam nomes como Natanzinho Lima e MC Tuto, além do grande sucesso da música eletrônica, Alok, como puxadores de plays fora do Brasil.

Tudo feito primordialmente para o público brasileiro, e praticamente tudo em português — algo nunca visto antes. E quer uma notícia ainda mais surpreendente? A Argentina aparece como um dos três principais importadores de música brasileira no levantamento da Luminate, sinal de que a primeira camada de internacionalização é regional e culturalmente próxima.

Quem gosta de olhar para o lado ruim dos relatórios também tem sua fatia do bolo. Apesar de sermos o nono país que mais exporta música no mundo, ainda ficamos atrás de países bem menos populosos, como Coreia do Sul e Porto Rico.

O ranking não mede receita de exportação. Segundo a própria Luminate, ele combina quatro elementos: a posição dos artistas de cada país em streams sob demanda; o número de países que importam repertório daquele país; o tamanho dos mercados importadores; e a quantidade de artistas que alcançam audiências internacionais.

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Também não é possível medir o que viria das chamadas “fazendas de plays”, pagas para gerar plays artificialmente.

Confira o ranking de 2025 dos maiores exportadores de música do planeta:

  1. Estados Unidos
  2. Reino Unido
  3. Canadá
  4. Coreia do Sul
  5. Alemanha
  6. França
  7. Porto Rico
  8. Austrália
  9. Brasil
  10. Suécia

Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.