Jannis Strütz, fundador da Habibi Funk Records. Foto: Fabian Brenneke/ReproduçãoComo a Habibi Funk Records vem redescobrindo o funk árabe
Edição: Flávio Lerner
Ouça cinco pérolas do selo lançado em 2015 pelo DJ alemão Jannis Stürtz
Antes de começar a falar da Habibi Funk Records, precisamos falar de Faddoul M’Faddel, ou simplesmente Fadoul, o James Brown marroquino. A história começa com esse cara, cujo disco Al Zman Saib foi encontrado nos fundos de uma loja de consertos de aparelhos eletrônicos, entre centenas de outros. Antes de ser uma assistência técnica, aquele salão comercial nas ruas de Casablanca havia sido o escritório de uma distribuidora de vinil e, sabe-se lá por quais cargas d’água, o estoque não vendido acabou ficando jogado nos fundos do estabelecimento.

Em 2012, o DJ Jannis Stürtz, sócio de uma gravadora berlinense chamada Jakarta Records, estava na cidade trabalhando como tour manager de um de seus artistas, Blitz the Ambassador, em um show no Mawazine Festival, um dos maiores eventos de música do Marrocos. Aproveitou os dias de folga para dar um rolê pelas ruelas movimentadas de Casablanca, até ver um monte de discos nos fundos da referida lojinha. Ficou louco ao ouvir o som de Fadoul e decidiu que iria relançar aquela pérola na Europa. O que ele não sabia, é que a saga duraria dois anos.
O marroquino havia simplesmente desaparecido. Stürtz decidiu então procurar outros músicos que trabalhavam na cidade na mesma época em que M’Faddel lançou seu único álbum. Soube, então, que ele havia falecido no começo dos anos 90, e que havia morado em um bairro periférico. Comprou uma passagem de volta a Casablanca, foi até as cercanias onde o James Brown marroquino vivia e começou a perguntar no meio da rua sobre o cara. Depois de bater muita perna no local, encontrou finalmente a irmã do artista, que o apresentou aos demais familiares vivos. Em 2015, finalmente o álbum foi lançado, somente em vinil, na Alemanha.
O corre, no entanto, havia sido grande e importante demais para ser apenas mais um lançamento da Jakarta. Jannis viu o tremendo potencial do funk perdido feito no Oriente Médio, e decidiu que o Al Zman Saib merecia um novo projeto. Hoje com mais de 30 lançamentos em vinil e fita cassete, a Habibi Funk se dedica a descobrir, licenciar e relançar grandes grooves feitos por artistas do Marrocos, da Tunísia e de todo o mundo árabe, dos anos 60 até os dias atuais.
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Jannis Stürtz sempre se preocupou em não chegar junto às famílias com pose de colonizador. Todos os discos vêm acompanhados com um livreto contando toda a história do artista e dos músicos que participaram da gravação, e o contrato é diferente do que se vê normalmente: metade dos lucros vai para os músicos e seus herdeiros, e metade fica com a gravadora.
O Music Non Stop selecionou cinco pérolas já lançadas pela Habibi Funk Records. Prepare-se para uma deliciosa imersão no mundo do funk árabe!



