Makaveli e Kadilida Makaveli e Kadilida. Fotos: Divulgação

Conheça os rappers da Tanzânia que tocam com o BaianaSystem no C6 Fest 2026

Jota Wagner
Por Jota Wagner

Edição: Flávio Lerner


Makaveli e Kadilida se juntam ao coletivo baiano em show inédito no dia 23 de maio

Ao se impressionar com o duo musical viral do momento, o francês Angine de Poitrine, não se esqueça de que o BaianaSystem já faz o mesmo há mais de 15 anos. Mascarado e com uma narrativa própria sobre seu passado, presente e futuro, o coletivo baiano surgiu como uma entidade invasora na arte brasileira, misturando personagens fantásticos muito bem criados com uma mistura musical que une reggae, rock e a guitarra baiana. No sábado do C6 Fest 2026, dia 23 de maio, traz a participação especial de dois rappers tanzanianos, Makaveli e Kadilida, que pouquíssima gente conhece no Brasil.

O show coroa uma parceria que remonta a 2020. O “navio pirata” do grupo partiu de Salvador rumo ao mar aberto no final da década passada, quando seus integrantes buscavam novas referências musicais. Contornaram o Cabo da Boa Esperança, chegaram ao leste do continente e atracaram na Tanzânia.

Nas periferias da enorme Dar es Salaam, encontraram o singele, um hardcore eletrônico feito na quebrada, muito mais rápido do que o drum’n’bass e o gabba, criado em comunidades operárias carentes. Era tudo o que precisavam. Meteram o DJ e produtor Jay Mitta e o cantor Makaveli dentro do navio e inverteram a história.

Se antes se transportavam negros escravizados dá África para o Brasil para se procurar ouro ou colher café, o BaianaSystem os trouxe, a convite, par a ensinar música. Do encontro nasceu a música Nauliza (no álbum OxeAxeExu, de 2021), primeira colaboração entre os dois continentes distantes em nós náuticos, mas muito próximos em linguagem periférica. Pirataria da boa.

Rapper, cantor e compositor com mais de 20 anos carreira, conhecedor dos rolês musicais da Tanzânia, Orbit Makaveli mistura mistura lirismo afiado e melodias soul, combinando a crueza do hip-hop com a narrativa poética tradicional. Ele, que já se apresentou em importantes festivais internacionais, como Nyege Nyege (Uganda), Festival de la Cité (Suíça) e Clandestino Festival (Suécia), volta ao Brasil em 2026 para subir em um dos palcos mais bacanas do país, ao lado do Baiana e de uma MC conterrânea, Kadilida. Um casamento entre dois países que, esperamos, seja eterno, vital que é. Também uma ocasião histórica, no mais profundo sentido acadêmico da palavra.

Também conhecida como MC Card Reader, Kadilida é uma das principais vozes femininas do singeli, usando rimas em suaíli (idioma oficial da Tanzânia) para falar do dia a dia, da cultura local e para abordar tanto problemas sociais quanto celebrações. A garota já se apresentou em importantes festivais internacionais, como ACCESS, Unsound e o próprio Nyege Nyege.

Juntos, expandirão o trabalho de abraçamento entre Salvador e Dar es Salaam, adicionando o singeli, ritmo muitas vezes classificado como “rave africana”, à mistura galáctica do BaianaSystem. Um encontro que, convenhamos, somente a narrativa do coletivo baiano poderia proporcionar. Nossos ouvidos e nossos olhos estarão voltados para o palco principal do C6 Fest, curiosos pela potência apocalíptica que essa união deverá proporcionar.

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Jota Wagner

Jota Wagner escreve, discoteca e faz festas no Brasil e Europa desde o começo da década de 90. Atualmente é repórter especial de cultura no Music Non Stop e produtor cultural na Agência 55. Contribuiu, usando os ouvidos, os pés ou as mãos, com a aurora da música eletrônica brasileira.