Festa no Le Palace em 1978. Foto: Philippe Morillon/Reprodução“Studio 54 francês”, Le Palace reabrirá suas portas em Paris
Lendário clube parisiense que recebeu ícones como Mick Jagger, Grace Jones e Andy Warhol deve ser reinaugurado no começo de 2027
Mais um capítulo de uma história de um prédio de 400 anos, encravado na Rue du Faubourg-Montmartre, no nono distrito de Paris, será escrito a partir do começo de 2027. O lendário clube parisiense Le Palace reabrirá suas portas após uma milionária reforma que promete juntar “a história do local com o futuro da noite francesa”. Projeto corajoso, uma vez que tentativas anteriores de resgatar a aura conquistada pela casa no fim dos anos 70 e início dos 80 não deram muito certo.

Não é à toa que o primeiro Le Palace era conhecido como a versão francesa do Studio 54, uma das mais importantes casas noturnas da história notívaga. Fabrice Emaer, já um empresário bem sucedido no ramo em 1978, era apaixonado pela casa nova-iorquina que havia se tornado o Santo Graal da disco music, recheado de celebridades, intelectuais e festeiros hedonistas.
Um ano depois da abertura do clube estadunidense, resolveu abrir um parisiense no mesmo formato, transformando o antigo teatro Le Palace, em funcionamento desde 1912, em uma casa noturna hypadona, frequentada por gente da estirpe de Mick Jagger, Grace Jones e Andy Warhol. Ao som do lendário DJ Guy Cuevas, um imigrante cubano que também foi escritor, ator e diretor artístico de outras grandes boates em Paris, as festas promovidas por Emaer eram o lugar para se estar na cidade, na virada dos anos 80.
Aberta em um prédio que remonta ao século 17, a primeira discoteca Le Palace foi decorada pelo pintor Gérard Garouste, e o mobiliário ficou a cargo de Elisabeth Garouste. A casa aglutinou o povo da moda, das artes e a high society parisiense até 1983. Ícones da moda como Karl Lagerfeld, Kenzo, Jean-Paul Gaultier e Sonia Rykiel eram habitués de suas festas. Em triste coincidência em relação à sua referência nova-iorquina, o espaço também entrou em declínio após a morte de seu dono. Fabrice Emaer faleceu de câncer em 1983, deixando seu empreendimento à deriva.
A partir de então, o clube foi mudando de dono diversas vezes e se tornando cada vez mais uma casa noturna “comum”. Só que estamos falando de Paris, né? Um dos DJs residentes no final dos anos 80 foi um tal de David Guetta. Nos meados dos anos 90, retornou ao clube como programador e, na área de fumantes, reza a lenta que chamou para tocar um certo Daft Punk, em início de carreira. O projeto degringolou de vez quando, em 2006, dois irmãos belgas compraram o imóvel e o reverteram à sua função original. Um teatro, que também não foi muito longe.
O que vem pela frente
O edifício original foi comprado pelo francês Mickaël Chétrit, que anunciou um ambicioso projeto de reabertura para o início de 2027. A ideia, segundo os novos administradores, é respeitar o espírito e a história do lugar, recriando uma casa noturna no subsolo e um espaço de teatro/concerto com capacidade para até 1.400 pessoas.
Para essa nova empreitada, Chétrit se uniu ao renomado arquiteto e designer Jacques Garcia, de 78 anos, que frequentava o clube desde sua juventude. Ao The Guardian, único veículo que teve acesso às obras e publicou uma resenha animadora, Garcia declarou:

“Passei minha vida aqui, com festa atrás de festa ao lado de pessoas incríveis. Éramos loucos, sem limites, mas com uma certa elegância. O nome Le Palace é um cenário por si só. Representa um mito para muitas pessoas que o vivenciaram. Só posso abraçar o mito e o cenário”.
A reforma inclui a restauração de elementos tombados como patrimônio histórico, incluindo o famoso afresco de 1912, e a instalação de telas de vídeo que exibirão imagens de arquivo para que as novas gerações possam compreender o que foi a era de ouro do Palace .
Festar de forma louca e sem limite ficou lá no milênio passado. Mas é certo que o Le Palace pode contribuir muito para a noite parisiense. E nós, aqui do Music Non Stop, somos loucos por história clubber!



