Escritora, jornalista e ex-VJ da MTV lança Deslumbre – Histórias de obsessão musical, sua terceira obra autoral
Gaía Passarelli viveu tanto em meio a discos e pistas de dança que sua autobiografia, ou livro de memórias, serve também como documento histórico do cenário musical paulistano e suas diversas marés. Deslumbre – Histórias de obsessão musical, sua terceira obra (Editora Terreno Estranho), será lançada nesta quinta-feira, em encontro na livraria Ponta de Lança, ao lado dos escritores Camilo Rocha (parça de longa data) e Rodrigo Carneiro, com intermediação da jornalista Camila Yahn.
Imagem: Divulgação
Em 164 páginas de experimentações, imersões e, claro, deslumbres, a escritora repassa sua história através de ambientes, sensações e sons, fartamente descritos e que se cruzarão com muitos leitores da mesma geração. Para quem não sabe, Passarelli foi a criadora do primeiro e fundamental portal de música eletrônica brasileiro, o extinto RRAURL, colaboradora de grandes veículos, como Folha de São Paulo e Marie Claire, e VJ da MTV Brasil. Deu um tempo, como se fosse possível, da música, escrevendo Mas Você Vai Sozinha? (Globo Livros, 2016), sobre viagensm e Tá Todo Mundo Tentando (Editora Nacional, 2024), com textos de sua newsletter, que começou a bombar a partir da pandemia.
Seu mais novo livro resgata memórias do antes, o durante e o depois dessa jornada, passando pelo cenário gótico e pós-punk da cidade, a imersão na música eletrônica com a chegada do techno no Brasil, o cenário indie que a arrebatou nos tempos da MTV e muito mais — tudo retratado em textos que refletem, como acontece a todos nós, deslumbres e obsessões.
Como não poderia deixar de ser, Deslumbre é repleto de dicas de álbuns e publicações que faziam a cabeça da autora em cada capítulo de sua vida. O Music Non Stop pediu à Gaía Passarelli uma pequena curadoria personalizada, que apresenta aos nossos leitores um pouco do livro. Confira!
Trisomie 21 — The Last Song
Hino francês e eterno favorito de trevosos, garantia um momento épico nas pistas dos inferninhos.
Anne Clark — Sleeper in Metropolis
Anne Clark foi mestra na arte da poesia falada sobre paisagens sonoras eletrônicas, e aqui instala um estado de sonho urbano em que palavras constroem imagens de isolamento e desejo.
Octave One feat. Ann Saunderson — Blackwater
Clássico absoluto da melhor tradição do techno de Detroit, com vocais envolventes que levam a pista a um estado espiritual.
Björk — Hyperballad
Intimidade, tecnologia e a música como espaço seguro para experimentar contradições sonoras na voz da islandesa Björk, então no começo de sua carreira pós-Sugarcubes.
Rainbow Arabia — Without You
A saudade em forma de pop eletrônico dançante, misturando percussões tropicais e sintetizadores leves. É a cara do pop pós-moderno dos anos 2010, cheio de movimento e brilho.
