Ema Stoned. Foto: Reprodução10 bandas do estado de São Paulo que você precisa conhecer
Edição: Flávio Lerner
Paulistas, aos palcos!
São Paulo tá de boa hoje. Ninguém trabalha, graças ao feriado de 09 de julho. Além de nome de uma das mais importantes avenidas da capital, a data marca o início da Revolução Constitucionalista de 1932. O estado queria eleições para presidente, mas um tal Getúlio Vargas se mantinha no poder através de decretos desde 1930. O caldo azedou quando quatro estudantes que protestavam contra a ditadura, Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, foram mortos por forças federais, dando início à revolta. De seus nomes, veio a sigla MMDC, que você vê espalhada em símbolos por todos os cantos, principalmente na capital paulista. O estado, solitário na luta, se rendeu meses depois, mas a comoção nacional trouxe o voto de volta, incluindo o direitos às mulheres de participar da escolha do novo presidente.
A história nos mostra que Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo foram os primeiros punks antifacistas do planeta. E fez com que SP fosse um dos mais importantes polos criativos do país quando o assunto é o também revolucionário rock’n’roll. A região nos deu Os Mutantes, Titãs, Ira!, Fellini, Ratos de Porão, Mercenárias e mais milhares de bandas voltadas ao estilo. E a inspiração segue se renovando. Muita coisa boa anda rodando pelos palquinhos, e recomendamos, você precisa conhecer.
Para celebrar este 09 de julho, listamos dez projetos musicais do estado de São Paulo que você precisa conhecer. Paulistas, aos palcos!
Ema Stoned
Um power trio instrumental formado inteiramente por mulheres (Elke Lamers, Alessandra Leite e Jéssica Silva). O som delas é uma viagem de improvisação, distorção e psicodelia. Elas são muito respeitadas no circuito underground de São Paulo e costumam deixar o público boquiaberto em festivais independentes.
Jupta
Oriunda do interior de São Paulo, a Jupta passeia com muita naturalidade entre o indie rock, o synth-pop e o rock alternativo. As composições costumam falar sobre conexões humanas, crises cotidianas, desassossegos e os altos e baixos dos relacionamentos modernos, tudo envelopado em melodias que grudam na cabeça logo na primeira audição.
Ginger and the Peppers
A banda vem escalando o circuito de shows com passos largos, chamando a atenção pela energia explosiva de suas apresentações ao vivo e pela escolha de compor e cantar inteiramente em inglês, o que já posicionou o grupo no radar de selos focados no mercado internacional.
PLUMA
O quarteto paulistano furou a bolha do algoritmo com o elogiado EP Mais do Que Eu Sei Falar e sedimentou o hype com o álbum Não Leve a Mal. O som é sofisticado, groovado e tão bem-produzido que já levou os caras para apresentações internacionais de peso, como o Primavera Sound em Barcelona.
Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo
Talvez a mais “veterana” da lista (ao lado da próxima, a The Biggs). Mas a música e o nome de banda mais legal da década merecem sua atenção. Um dos projetos mais geniais, irreverentes e caóticos da capital. Lançados pelo prestigiado Selo RISCO, eles entregam shows magnéticos e composições ácidas e viscerais. Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo é figurinha carimbada em listas de melhores do ano da crítica especializada (como a APCA) e atrai um público jovem e muito fiel.
The Biggs
Cria legítima da efervescente e histórica cena underground de Sorocaba (cidade do interior de São Paulo que sempre foi um polo exportador de rock de garagem), The Biggs está na estrada desde o final dos anos 90. Liderada pela icônica Flávia Biggs, é uma das maiores referências nacionais quando o assunto é a fusão de punk-rock cru com a ética e a estética do movimento Riot Grrrl.
The Mönic
Se você acha que o indie paulista é só calmaria e “violão triste”, essa banda liderada por mulheres vai te provar o contrário. Com riffs pesados e atitude em cima do palco, elas estão chamando muita atenção com parcerias ousadas (como o single recente com a rapper MC Taya) e forte presença nos festivais independentes de rock.
Chococorn and the Sugarcanes
Vindos diretamente de Franca, no interior do estado, eles são um dos maiores fenômenos recentes de nicho. O álbum de estreia, Siamês, estourou no circuito alternativo com arranjos de vozes divididos entre os integrantes e uma sonoridade nostálgica que remete ao rock dos anos 90 e 2000.
OVM (O Velho Manco)
Formado em Jundiaí, O Velho Manco (carinhosamente sintetizada pela sigla OVM) é cerebral, denso e intrigante. Caminhando fora do óbvio, o trio construiu uma reputação sólida no underground por não ter medo de tatear o desconforto humano, embalando crises existenciais em arranjos primorosos.
Maga Rude
Gosta de ska? Então achou seu grupo. A banda feminina se destaca por fazer aquele som clássico de rua, focado no contratempo da guitarra (o famoso skank), linhas de baixo gordinhas e muito groove, misturando a tradição dos anos 60 e 70 com a urgência do rock independente moderno.



